
Sou Regina Favre
Formada em Filosofia pela PUC- SP, sou psicoterapeuta, educadora e pesquisadora independente do corpo subjetivo. Integro a primeira geração “do corpo” no Brasil desde os anos 1970. Naquele tempo, “ser do corpo” significava desidentificar-se radicalmente dos valores burgueses que hegemonicamente modelavam os corpos e os estilos de vida. Descobri o caminho do corpo com José Ângelo Gaiarsa e a seguir na Inglaterra onde se cultivavam as novas e revolucionárias ideias e práticas corporificadas da Psicologia Humanística e dos herdeiros de Reich. Entre os anos 1980 e 90, juntamente com Liane Zink e Carlos Briganti no Ágora Centro de Estudos Neo-Reichianos, levamos adiante a primeira formação corporalista brasileira para mais de mil alunos. Mas nos encontros com Felix Guattari durante suas vindas para o Brasil nessa década, percebi com grande espanto que esse corpo que se faz sujeito é uma produção e que esse corpo necessita estar continuamente em mutação para seguir funcionando nesses mundos também em constante mutação. Passei então a buscar um conceito de corpo que resistisse a essas forças capitalismo neoliberal que, em vez de reprimir, homogeneiza o desejo dos corpos.
Ao encontrar Stanley Keleman, em 1990, com quem passei a ter contato pessoal e profissional constante até 2005, absorvi finalmente aquele tão desejado conceito de corpo como um contínuo processo de produção de si e de diferença no mundo. Isso marcava para minha grande alegria uma total mudança de paradigma. Passei então a cuidar da tradução e apresentação dos livros de Keleman no Brasil, ao todo nove, dentre os quais Anatomia Emocional, esse livro impactante que segue me guiando no ensino e na clínica. Nessa mesma década de 90, cultivei o Centro de Educação Somática-Existencial e comecei a elaborar a interface entre o Pensamento Formativo de Stanley Keleman e a Ecosofia de Felix Guattari, numa articulação que nos ajudasse a compreender os corpos e cartografar seus diferentes modos adaptativos aos diferentes ambientes (ou ecologias).
Nos anos 2000 criei o Laboratório do Processo Formativo, onde segui cultivando, juntamente com alunos e diferentes colaboradores, dispositivos de clínica, ensino, pesquisa audiovisual e publicação digital sobre esse corpo que é dotado do impulso evolutivo de formar a si, amadurecer para a realidade de ser parte de processos coletivos e cultivar a potência de gerar a diferença e selecionar continuidade. E desenvolvi aí a Instalação Didática como estratégia de um ensino conceitual corporificado e produção simultânea de material audiovisual.
Os Grupos de Exercício, praticados desde os anos 1970, sempre existiram para mim, inicialmente como espaço de experiência viva com a potência expressiva da energia e das emoções. E mais adiante, a partir da influência de Keleman, o exercício passa a ter a função de preparar os corpos para o reconhecimento e o manejo do processo de fazer e refazer corpo, sempre em seu impulso de prosseguir, sempre se conectando, sempre canalizando vida. Desde o início da pandemia transferi os grupos de exercício para o virtual, pesquisando mais finamente a relação de comportamento/linguagem e como a produção de corpo segue se fazendo na infosfera.
Ser a primeiríssima geração corporalista no Brasil, sem mestres brasileiros a não ser Gaiarsa, cultivando Keleman, esse mestre distante do alcance quotidiano, me fez buscar refúgio, cuidado, companhia em grandes psicanalistas brasileiros que me acolheram mesmo sem compreender muito bem esse trabalho encarnado que fui teimosamente desenvolvendo na margem do instituído. Ao longo desses quase 50 anos me deitei nos divãs, por quase 10 anos em cada um, de Regina Chnaiderman a Antonio Lancetti, Sérvulo Figueira, Lia Cypel e finalmente Mauro Dias. A psicanálise impregnou meu modo de ouvir e dizer, embora corpos, sobretudo desde que encontrei Keleman e Guattari, nunca deixassem de me dizer quem são, de onde vêm e em que ambientes físicos e sociais, próximos e distantes, se fizeram anatomicamente.
Além do trabalho com os livros de Stanley Keleman, tenho publicado vídeos, lives e textos aqui no site (veja em arquivos), tais como Cadernos da Subjetividade (Núcleo de Pesquisas da Subjetividade da PUCSP), revista IDE (Sociedade Brasileira de Psicanálise), Cadernos Reichianos (Instituto Sedes Sapientiæ), revista Interfaces (UNESP), além de ensaios em livros coletivos com docentes da UNIFESP,UNESP e UFES. Roteirizei e dirigi o longa-metragem Memória do Ácido (2017). Organizei Fragmentos de uma vida (Summus, 2019), de Anna Veronica Mautner. Escrevi Do Corpo ao Livro (Summus, 2021).
Nos últimos 20 anos venho colaborando com o imprescindível conceito vivo de corpo junto à Terapia Ocupacional, em diferentes universidades públicas (USP, UNIFESP,UFRJ, USMaria, UNESP, UEPA, UNB).
E finalmente chego aos 84 anos saudável, feliz, bem sucedida, autônoma e singular.
Venha fazer terapia, supervisionar-se ou estudar comigo presencial ou online, individual ou em grupo. Para fazer contato comigo me escreva pelo whatsapp .
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