Este vídeo registra uma protagonização de um aluno na última fase do Seminário de Biodiversidade Subjetiva 3 do Laboratório do Processo Formativo coordenado por mim. Esse seminário teve a duração de 3 anos, como os anteriores também compostos de um total de 15 encontros, em finais de semana a cada dois meses.
Nessa última fase de estudo formativo, os alunos, como tarefa, pesquisaram fotos pessoais e produziram com elas uma trilha mostrando a produção no tempo do corpo-sujeito adulto, eles, então, naquele nosso presente.
O processo formativo, tal como formulado por seu criador Stanley Keleman, descreve os corpos como um processo continuo em que agem em conjunto as forças da Evolução, as forças da espécie, as forças do crescimento ou brotação continua de corpo imantada pelas forças da vida juntamente com as formas dos comportamentos vinculares e adaptativos que se sucederam e se repetiram nos corpos, nos múltiplos ambientes de que fizeram parte, com suas expressões e narrativas. Stanley Keleman, tal como Félix Guattari, se refere a essas forças com pre-pessoais e pós-pessoais.
O aluno, protagonista deste trabalho editado neste vídeo, apresentou uma única foto, ele menino de 9 anos, magro e muito comprido, sentado no chão, enrolando o corpo em pernas muito longas. Ele abraçava essas pernas contra o tronco fino. O rosto olhava para a câmera e tinha uma expressão doce. A forma mostrava a fragilidade porosa de um imenso crescimento recente.
O protocolo de estudo do formativo, nesses grupos, desse tempo presencial, incluía muitas ações: gravar, transcrever, fotografar, produzir cartografias, postar em grupos fechados do Facebook exclusivos do grupo em questão, rever, corpar e estudar gravações e transcrições produzidas especificamente com essa finalidade, convocar a colaboração de membros do grupo em diferentes circunstâncias. Tudo sempre se passando dentro de uma perspectiva vincular, crítica e clínica. Impossível operar uma transmissão de outro modo.
O texto inicial apresenta bases do pensamento formativo que conduz a intervenção de maneira didática e real, cuja gravação embora legendada, para melhor entendimento, pede que se discriminem aqui os passos desse processo formativo acontecido ao vivo em dois dias.
sábado: a partir de uma foto.
1o passo: a foto de um menino de 9 anos magro e alto
2o passo: o momento de separação dos pais
3o passo: o protagonista imita e compreende o corpo da mãe – magro, forte, alto e duro que se comprime para evitar o desmanchamento da depressão.
domingo: a partir de um sonho
1o passo: narrativa do sonho em que pai e filho vêm pela estrada em direções opostas prontos para se chocar em alta velocidade. Ele impede o choque com as mãos. Pai e filho se encontram com bom humor. Aparece no sonho o homem jovem que pode ser intenso com o pai e não só o amigo das mulheres. Reconhece a própria intensidade que não se expressa.
2o passo: Peço que ele escolha uma mulher do grupo para posturar junto, frente a frente, mão com mão. A força, o contato e o olhar intensificam a excitação e firmam o tônus frontal.
3o passo: recebe o efeito do exercício é compreender seu crescimento ainda fino e poroso.
4o passo: pergunta-se como uma mãe separada lida sozinha com o corpo de um menino de 9 anos crescendo.
5o passo: os tecidos começam a se manifestar.
6o passo: lembro a narrativa ouvida de uma garota do grupo na véspera onde ela provocava um motorista no trânsito e era perseguida em alta velocidade por ele.
7o passo: Peço ele que posture junto, costas com costas com a garota valente com homens – a força intensifica mais a excitação e tonifica as costas
8o passo: as forças do crescimento começam a se manifestar como uma ereção geral do corpo e são acolhidas e manejadas pelo protagonista enquanto converso sobre o que é ser um homem adulto e intenso. As mulheres do grupo recebem e admiram a vibração masculina desse homem jovem e sexualizado.
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