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	<title>Laboratório do Processo Formativo &#187; o que penso</title>
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	<description>Laboratório do Processo Formativo</description>
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		<title>Um corpo na multidão: do molecular ao vivido</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 12:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade subjetiva]]></category>
		<category><![CDATA[palestra]]></category>

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		<description><![CDATA[Um corpo na multidão: do molecular ao vivido, foi o tema da mesa de Regina Favre na Jornada Reichiana do Sedes, em 2010. Aqui você confere todos os detalhes e tem os principais conceitos do processo formativo e como a vida se organiza em nós. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1128" class="wp-caption aligncenter" style="width: 614px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/muvuca.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="size-full wp-image-1128" title="muvuca" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/muvuca.jpg" alt="vista do Laboratório durante um Seminário" width="604" height="453" /></a><p class="wp-caption-text">na muvuca da vida</p></div>
<h1 style="text-align: center;">na muvuca da vida</h1>
<h3>Condições formativas dos corpos HOJE: uma cartografia</h3>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>Indivíduos-corpos: </strong></span>relativos, interdependentes e interconectados, formando camadas de tecido social instáveis onde a capacidade de manteragregação de si e conexão com as redes funcionais, em cada corpo, desempenha o papel principal.</p>
<p><strong><span style="color: #aa0005;">Forma do lucro:</span> </strong>está mais no uso que na produção, os bens estão mais ligados à circulação do que à acumulação.</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>Ambiente-mercado: </strong></span>produz principalmente serviços, estilos de vida e modos de inserção.</p>
<p><strong><span style="color: #aa0005;">Capitalismo atual: </span></strong>com seu funcionamento em rede nos ameaça com a exclusão e não mais, diretamente, com a captura dos corpos pelo trabalho a serviço das classes dominantes, característica do capitalismo industrial.</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>Poder mundial: </strong></span>aristocracia financista e multinacional por um lado e redes de colaboração e produção livre, sobretudo, a multidão, por outro.</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>Perigos:</strong></span> perda das conexões e falsa agregação de si.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/holandesa.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1139" title="holandesa na janela" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/holandesa.jpg" alt="holandesa na janela" width="483" height="362" /></a></p>
<h3>HOJE em qualquer ponto do planeta</h3>
<p><strong>o problema está no <span style="color: #aa0005;">horror à </span></strong><strong><span style="color: #aa0005;">exclusão</span></strong></p>
<p><strong>Exclusão das redes físicas é a </strong><strong><span style="color: #aa0005;">morte</span>.</strong></p>
<p><strong>Exclusão das redes sociais é a </strong><strong><span style="color: #aa0005;">miséria</span>.</strong></p>
<p><strong>Exclusão das redes de sentido é a </strong><strong><span style="color: #aa0005;">loucura</span>.</strong></p>
<p>Nesse ambiente-mercado totalmente midiatizado, onde vivemos hoje, o tempo todo estamos expostos</p>
<p>à informação que nos manipula e horroriza com as situações de exclusão:</p>
<p>doença, envelhecimento, isolamento, violência, miséria, desemprego, desamparo, favela, fila de hospital, etc etc etc etc etc.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="AE9, 12 encontro" src="http://farm3.static.flickr.com/2526/3782020503_11eab9449c_d.jpg" alt="AE9, 12 encontro" width="500" height="333" /></p>
<p>No estado de apavoramento que atinge a todos, somos tomados pela vivência da desagregação somática desencadeada pela resposta reflexa do tronco cerebral.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/susto.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1140" title="susto" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/susto.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Com o reflexo do susto, o processo somático imobiliza e suspende sua continuidade como um modo de barrar a excitação excessiva, fatal para o córtex cerebral.</p>
<p>Mas, ao mesmo tempo, essa mesma mídia que nos apavora, vem, aparentemente, nos socorrer&#8230;</p>
<p>oferecendo contornos existenciais vendáveis que prometem forma, contenção da excitação e inclusão.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/belas-adormecidas.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1141" title="belas adormecidas" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/belas-adormecidas.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>São imagens de fácil assimilação que suscitam o reflexo da imitação.</p>
<p>Evidentemente, uma gambiarra formativa que dura um piscar de olhos&#8230;</p>
<h3>Um conceito de corpo tendo em vista os problemas formativos HOJE.</h3>
<p><img class="aligncenter" title="cartografia: sistema nervoso" src="http://farm3.static.flickr.com/2705/4410391722_44557b8d79_d.jpg" alt="cartografia: sistema nervoso" width="500" height="375" /></p>
<h3>O corpo é um processador ambiental</h3>
<p>em contínua produção de si e de mundo</p>
<p>pela interação de suas camadas embriogênicas</p>
<p>O corpo é um processo</p>
<p>morfogênico</p>
<p>autopoiético contínuo.</p>
<p>do micro ao macro</p>
<p>do nascimento à morte</p>
<h3>Tarefas urgentes de cada corpo HOJE:</h3>
<p>situar-se na velocidade e na violência dos processos coletivos e cultivar uma potência que lhe permita manter:</p>
<ol>
<li>agregação de si em continua mutação,</li>
<li>ligações de cooperação com os diferentes ambientes</li>
<li>capacidade de assimilar neural e muscularmente estruturado, como experiência e comportamento.</li>
</ol>
<p>Forma, funcionamento e comportamento são a mesma coisa, do micro ao macro.</p>
<p>O trabalho sobre os processos formativos e maturacionais de corpos e seus modos-forma de agregação e conexão requer cartografias e práticas precisas.</p>
<p>Sempre observando o modelo do vivo:</p>
<p>excitação, membrana e pulso</p>
<p>continuidade da embriogênese da concepção à morte</p>
<p>bomba pulsátil</p>
<p>corpo canal</p>
<p>peristalse</p>
<p>propulsão no espaço</p>
<p>expressão conectiva</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/sk1.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1144" title="sk1" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/sk1.jpg" alt="" width="500" height="754" /></a>Imagem: <a href="http://books.google.com/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;lpg=PP1&amp;pg=PA20">Anatomia Emocional, ©Stanley Keleman, Google Books</a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/pulso_camadasjpg.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1147" title="pulso_camadasjpg" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/pulso_camadasjpg.jpg" alt="" width="500" height="505" /></a>Imagem: <a href="http://books.google.com/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;lpg=PP1&amp;pg=PA43">Anatomia Emocional, ©Stanley Keleman, Google Books</a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/tubo.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1146" title="tubo" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/tubo.jpg" alt="" width="500" height="426" /></a>Imagem: <a href="http://books.google.com/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;lpg=PP1&amp;pg=PA43">Anatomia Emocional, ©Stanley Keleman, Google Books</a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/engatinhar.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1145" title="engatinhar" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/engatinhar.jpg" alt="" width="500" height="414" /></a>Imagem: <a href="http://books.google.com/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;lpg=PP1&amp;pg=PA43">Anatomia Emocional, ©Stanley Keleman, Google Books</a></p>
<p><strong>Cada corpo é</strong></p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>um lugar </strong></span><strong>na biosfera</strong></p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>um AQUI</strong></span></p>
<p><strong>um lugar self <span style="color: #aa0005;">atravessado por ocos</span></strong></p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>geneticamente imantado</strong></span></p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h3>Myself</h3>
<h3><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/myself.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="size-full wp-image-1149 aligncenter" title="myself" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/myself.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><strong>Como se faz (my)self em torno de um oco?</strong></h3>
<h3><strong>O que considerar?</strong></h3>
<p>Agregação de partes</p>
<p>Qualidade de membrana</p>
<p>Permeabilidade entre as camadas</p>
<p>Expansão-contração</p>
<p>Auto-reconhecimento</p>
<p>Auto-agência de si</p>
<p>Modos de conexão</p>
<p>Identidade social</p>
<p>&#8230;conduzindo substâncias e informação de todo tipo,</p>
<p>bombeando, processando</p>
<p>e gerando ambientes,</p>
<p>internos e externos<br />
sempre em conexão&#8230;</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/sanfona.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="size-full wp-image-1148 alignleft" title="sanfona" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/sanfona.jpg" alt="" width="500" height="675" /></a><span style="color: #aa0005;"><strong>Homem sanfona:</strong></span></p>
<p>ícone kelemaniano da bomba pulsátil sustentada pela própria excitação, organizada em sua forma adulta.</p>
<p style="text-align: left;">Imagem: <a href="http://books.google.com/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;lpg=PP1&amp;pg=PA43">Anatomia Emocional, ©Stanley Keleman, Google Books</a></p>
<h3>Crescimento e maturação do soma:</h3>
<p><img class="aligncenter" title="crescimento e maturação do soma" src="http://farm5.static.flickr.com/4050/4410410760_0318ce0be2_d.jpg" alt="crescimento e maturação do soma" width="500" height="375" /></p>
<p>um continuum formativo de modos de conexão aos ambientes</p>
<p>fusão</p>
<p>dependência</p>
<p>busca de reconhecimento</p>
<p>controle</p>
<p>cooperação</p>
<p>São necessários ambientes confiáveis e tempos formativos para o amadurecimento dos pulsos e superficies de conexão.</p>
<p>A conexão, em sua condição adulta, se dá pela cooperação dos corpos. Cooperar significa:</p>
<p>reconhecer-se apenas parte de processos maiores</p>
<p>agir como parte</p>
<p>formas imaturas se conectam aos campos corpantes</p>
<p>fundindo, dependendo, buscando reconhecimento, dominando&#8230;</p>
<p>hoje, em nossa vida visivelmente em rede,</p>
<p>mais do que nunca, urge a cooperação.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="como participo do campo corpante?" src="http://farm3.static.flickr.com/2644/3782938890_dda4658bef_d.jpg" alt="como participo do campo corpante?" width="500" height="333" /></p>
<h3>Um modo de estar no campo corpante: a clínica realinha o processo formativo.</h3>
<p><img class="aligncenter" title="buscando a própria voz" src="http://farm3.static.flickr.com/2721/4409892788_efae74711e_d.jpg" alt="buscando a própria voz" width="500" height="331" /><em>Buscando a voz: abrindo a garganta sufocada pelas forças da normopatia que ainda a capturam.</em></p>
<p>Normopatia é o nome das forças do mainstream.</p>
<p>Todos, de um modo ou de outro, nos afetamos pela sedução desse mundo aparentemente estável.</p>
<p>Todos os corpos e formas, ao se desencadear, já emergem do oceano formativo diretamente num mundo capitalista</p>
<p>regido por poderes e valores que as capturam para dentro de redes de sentido moldando-as e modelando-as.</p>
<p>Isso é a homogênese.</p>
<h3>Portanto é vital acessarmos:</h3>
<p>o reflexo do susto</p>
<p>as formas-socorro do mercado que envelopam nossa angústia</p>
<p>a paralisação do processo maturacional das formas de conexão</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/somagrama.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1117];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1151" title="somagrama" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/somagrama.jpg" alt="" width="480" height="360" /></a>somagrama</p>
<h3>como você funciona?</h3>
<p>um <span style="color: #aa0005;"><strong>AQUI </strong></span>biológico</p>
<p>percorrido por ocos</p>
<p>auto-referente</p>
<p>auto-agente</p>
<p>auto-regulado</p>
<p>que vai se constituindo</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>SUJEITO</strong></span></p>
<p>co-corpando em campos corpantes através de modos de subjetivação que são os modos sociais de se constituir</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>SUJEITO</strong></span></p>
<p>com o poder de interferir em suas próprias formas e manejá-las, dentro do presente coletivo.</p>
<p>A maturação conectiva e a diferença só podem ser produzidas sobre cada corpo, cada processo, cada conexão de modo paciente e artesanal observando as regras da formação biológica onde o corpo e seu cérebro, problematizando cada funcionamento, agem juntos sobre &#8220;o que é&#8221; e &#8220;como é&#8221;, e operam experimentações sobre as intensidades e amplitudes de cada forma liberando, assim, forças auto-poéticas que vão se condensando em novas formas a serem captadas, definidas em suas bordas, muscularizadas, praticadas, cuidadas e articuladas aos ambientes, internos e externos.</p>
<h3>Uma política do vivo</h3>
<p>A biologia tal como é compreendida hoje nos ajuda a contemplar que a organização morfogênica do vivo é molecular e em contínua auto-produção, que a multidão e o vivo operam da mesma maneira, isto é, formativamente, auto-poieticamente.</p>
<h3>Esta é uma visão extremamente otimista</h3>
<p>O processo de produção de corpos</p>
<p>pode ser enxergado através de um continuum de máquinas de produção de pulsos:</p>
<p>pulso cósmico,</p>
<p>pulso vivo,</p>
<p>pulso genético,</p>
<p>pulso embriológico</p>
<p>membrana e pulso, intensidades e vínculos, desencadeamento de fases formativas,</p>
<p>ambientes assimiláveis ou excessivos,</p>
<p>a produção de si, a produção da diferença,</p>
<p>as ondas formativas, os afetos e o neuromotor&#8230;</p>
<p>A seleção natural opera, sempre, do molecular ao comportamento macro,</p>
<p>em possibilidades combinatórias quase infinitas,</p>
<p>o que desabsolutiza funcionamentos e relativiza a fitness</p>
<p>isto é, a encaixabilidade de um fluxo com outro.</p>
<p>Uma gramática formativa necessita estar profundamente ancorada na biologia molecular,</p>
<p>nas regras biológicas da produção dos tecidos e das formas, da maturação dos corpos e suas ligações,</p>
<p>gerando práticas cooperativas do co-corpar e de produção-sustentação de campos corpantes.</p>
<h1>Laboratório do Processo Formativo</h1>
<h3>Regina Favre</h3>
<p>setembro 2010</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Agregando linguagem das ciências à gramática da produção de corpos</title>
		<link>http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2011/05/agregando-linguagem-das-ciencias-a-gramatica-da-producao-de-corpos/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 14:39:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade subjetiva]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>

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		<description><![CDATA[Notas para uma conversa com Regina e Saulo na Jornada Reichiana 2010, no Instituto Sedes Sapientiae.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/DSC05523.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1223" title="saulo, bs1, encontro 4" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/DSC05523-1024x768.jpg" alt="saulo, bs1, encontro 4" width="620" height="465" /></a></p>
<blockquote><p>Saulo Cardoso, médico e terapeuta, é dos alunos mais antigos, década de 80, tempos do Ágora. Migrou para o campo do pensamento formativo kelemaniano  junto comigo, um gesto importante, na época, dentro da cena corporalista de São Paulo. Participou de todos os workshops de Keleman no Brasil, desde 93. Pesquisou finamente, com a Sandra Taiar, todo o material vídeo-gravado desses workshops e me acompanhou de perto desde os primeiros momentos em que fui moldando  o pensamento formativo de modo a fazê-lo caber numa caixa de ferramentas que lidasse com a produção de <a title="Um corpo na multidão: do molecular ao vivido" href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2010/05/um-agenciamento-conceitual-para-honrar-e-estimular-a-biodiversidade-subjetiva-um-modo-politico-de-ensinar-e-experimentar-a-anatomia-emocional-de-stanley-keleman/" target="_blank">corpo no contemporâneo</a>. Com o tempo, tornou-se um interlocutor e, há alguns anos, já,  estudamos juntos.</p>
<p>Ele é o continuador da pesquisa de Rogerio Sawaya que desbravou comigo, por mais de 10 anos, <a title="Regina e Rogério: fragmentos de uma conversa de 15 anos" href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2008/03/regina-e-rogerio-fragmentos-de-uma-conversa-de-15-anos/" target="_blank">as referências cientificas de  Keleman</a> no enquadre teórico-prático do corpo em sua elaboração filosófica. É muito bom poder confirmar como a maturação vincular se dirige para a colaboração. Essa maturação em suas camadas é o que  experimentamos em grupo, juntamente com a produção de corpo e conhecimento formativo, no dispositivo do Seminário Biodiversidade Subjetiva. Na primeira parte da  aprendizagem viva do <a title="Seminário de Biodiversidade Subjetiva" href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2010/11/seminario-de-biodiversidade-subjetiva-2011/" target="_blank">processo formativo em que se constitui o Seminário</a>, o Saulo está presente na função de consultor para os  elementos da biologia molecular de que necessitamos para começar o processo de estudo, corporificação e maturação de uma bomba pulsátil capaz de produzir diferença.</p>
<p>Estas &#8220;Notas para uma conversa&#8221; de &#8220;Agregando linguagem à gramática da produção de corpos&#8221; de Saulo foram elaboradas para ressoar juntamente com a minha produção &#8220;<a title="Um corpo na multidão: do molecular ao vivido" href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2011/02/um-corpo-na-multidaodo-molecular-ao-vivido/" target="_blank">Um corpo na multidão</a>&#8221; produzidas para a apresentação que fizemos  na Jornada Reich de 2010 do Instituto Sedes Sapientiae.</p></blockquote>
<p style="text-align: right;">Regina Favre, 2011</p>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<p><object width='500' height='375'><param name='movie' value='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?video_id=649210&#038;id_video=649210&#038;width=500&#038;height=375&#038;relacionados=N&#038;hd=N&#038;cor_fundo=cccccc&#038;cor_titulo=666666&#038;color1=666666&#038;color2=666666&#038;color3=cccccc&#038;slideshow=true&#038;config_url=&#038;swf=1' /><param name='flashvars' value='video_id=649210&#038;id_video=649210&#038;width=500&#038;height=375&#038;relacionados=N&#038;hd=N&#038;cor_fundo=cccccc&#038;cor_titulo=666666&#038;color1=666666&#038;color2=666666&#038;color3=cccccc&#038;slideshow=true&#038;config_url=&#038;' /><param name='allowScriptAccess' value='always' /><param name='allowFullScreen' value='true' /><param name='wmode' value='opaque' /><embed src="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?video_id=649210&#038;id_video=649210&#038;width=500&#038;height=375&#038;relacionados=N&#038;hd=N&#038;cor_fundo=cccccc&#038;cor_titulo=666666&#038;color1=666666&#038;color2=666666&#038;color3=cccccc&#038;slideshow=true&#038;config_url=&#038;swf=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="375"></embed></object><br />
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<h2>Notas para uma conversa, por Saulo Cardoso</h2>
<h3>Agregando linguagem das ciências à gramática da produção de corpos.</h3>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/DSC05500.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1202" title="regina e saulo, bs1, 2010" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/DSC05500-1024x768.jpg" alt="regina e saulo, bs1, 2010" width="620" height="465" /></a></p>
<p>O processo formativo: os conceitos de ciências físicas e biológicas, hoje, invocam em nós a experiência de sermos parte de uma realidade em contínua produção&#8230;</p>
<h3>&#8230; estas notas foram feitas para ser lidas com uma atitude contemplativa e não, cientificista&#8230;</h3>
<p>Em 1956, Erwin Schrödinger, cientista austríaco, fez perguntas como esta em seu livro &#8220;What is life?&#8221;: Como uma célula ovo pode se transformar num <span style="color: #aa0005;"><strong>corpo tridimensional</strong></span>?</p>
<p>A <span style="color: #aa0005;"><strong>decifração do genoma</strong></span>, em 1990, respondeu a esta pergunta e levou às descobertas de como um corpo se produz, continuamente, da fecundação à morte.</p>
<p><object width="620" height="374"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0xvJ-NNuR6M?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/0xvJ-NNuR6M?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="620" height="374" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>As imagens e os textos abaixo estão colocados na perspectiva de uma <strong>biologia articulável </strong>ao pensamento formativo kelemaniano segundo o qual nossa vida é concebida como um <strong>processo ininterrupto</strong>, dentro da produção do universo, da biosfera e do social.</p>
<h2>O início do universo e da vida</h2>
<p>A teoria mais aceita da origem do universo é a do Big Bang</p>
<div id="attachment_1204" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/big_bang-721199.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-full wp-image-1204" title="big_bang" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/big_bang-721199.jpg" alt="big_bang" width="500" height="396" /></a><p class="wp-caption-text">O fluxo de energia radiante no início do universo.</p></div>
<p>No início havia muito calor e a velocidade do fluxo era imensa.</p>
<ul>
<li>Dá-se o nome de <span style="color: #aa0005;"><strong>PLASMA</strong></span>à mistura de partículas sub-atômicas em altas temperaturas e velocidades.</li>
<li>Quando essas partículas se movem, emitem <span style="color: #aa0005;"><span style="color: #000000;">energia na forma de </span><strong>LUZ</strong></span>.</li>
<li>LUZ é uma onda eletromagnética e tem dupla dimensão: <strong><span style="color: #aa0005;">onda e partícula</span></strong>(fótons)</li>
<li>A <span style="color: #aa0005;"><strong>POLARIDADE </strong></span>é a lei que governa a transformação de energia em outras formas de energia.</li>
</ul>
<p>A luz é polar. Quando partículas se movem, emitem energia na forma de luz.</p>
<p>O surgimento da matéria foi consequência do esfriamento do fluxo de energia, que gerou atração das partículas.</p>
<p>Esse não é apenas um evento primordial, é a base da realidade: a <span style="color: #aa0005;"><strong>contínua conversão de energia em matéria e matéria  em energia</strong></span>.</p>
<p>A matéria é uma agregação de energia</p>
<h3>O modelo da matéria é o átomo</h3>
<p>Um <span style="color: #aa0005;"><strong>átomo tem polaridade </strong></span>de forças elétricas: núcleo positivo e nuvens de elétrons negativos na periferia (<span style="color: #aa0005;"><strong>modelo atômico</strong></span>)</p>
<p>Um elétron pode mudar seu quantum de energia pela absorção de fótons de luz: assim o átomo muda de forma e de função.</p>
<h2>Polaridade da luz e da matéria</h2>
<p>A polaridade da energia cria um campo eletromagnético, um imã, um campo imantado.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/Como-atomos-emitem-luz.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1205" title="Como atomos emitem luz" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/Como-atomos-emitem-luz.jpg" alt="Como atomos emitem luz" width="399" height="394" /></a></p>
<h2>A produção do processo vivo</h2>
<p>O fluxo de energia radiante é o criador da vida.</p>
<p>A <strong><span style="color: #aa0005;">agregação de mecanismos físico-químicos</span></strong>, com sua consequente <strong><span style="color: #aa0005;">seleção conectiva</span></strong>, pelo uso e função, gera sistemas auto-produtivos, auto-agentes e auto-regulatórios.</p>
<p><object width="620" height="490"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/f1dp7tSC3Wg?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/f1dp7tSC3Wg?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="620" height="490" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong><span style="color: #aa0005;">Processo de produção da vida</span>: a seleção do carbono e da água, moléculas conectivas.<br />
</strong></p>
<div id="attachment_1206" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/carbono.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-large wp-image-1206" title="carbono" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/carbono-1024x332.jpg" alt="carbono" width="620" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Representações do átomo de Carbono</p></div>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p>O <span style="color: #aa0005;"><strong>átomo de carbono selecionou-se </strong></span>porque pode se ligar a quatro outros átomos de carbono, formando longas cadeias estáveis: açúcares, gorduras e proteínas.</p>
<div id="attachment_1207" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/molecula-de-água.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-full wp-image-1207" title="molecula de água" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/molecula-de-água.jpg" alt="molecula de água" width="300" height="236" /></a><p class="wp-caption-text">Representação da molécula da água</p></div>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p><strong>A água é a molécula da vida</strong> por suas propriedades inigualáveis:</p>
<ul>
<li>Coesão entre as moléculas</li>
<li>Flexibilidade</li>
<li>Ponto de ebulição alto (100º C)</li>
<li>Polaridade entre seus átomos componentes (sua molécula é um imã)</li>
</ul>
<p>Isso a torna o diluente universal da maioria das substâncias.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/WATER.gif" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-full wp-image-1208 aligncenter" title="água polarizada" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/WATER.gif" alt="água polarizada" width="203" height="207" /></a></p>
<p>O pólo positivo é o Hidrogênio. O pólo negativo é o Oxigênio.  As moléculas se associam através de pontes de Hidrogênio.</p>
<h2>A Luz, o Carbono e a Água: a fotossíntese</h2>
<p>A fotossíntese é uma agregação de processos físico-químicos.</p>
<div id="attachment_1210" class="wp-caption aligncenter" style="width: 599px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/energetica01_03_fotossintese.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-full wp-image-1210" title="fotossintese" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/energetica01_03_fotossintese.jpg" alt="fotossintese" width="589" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">A luz do sol incide sobre a terra e os vegetais a absorvem produzindo açúcar (glicose) a partir de gás carbônico (CO2) e água (H20).</p></div>
<p>Através de um processo físico-químico, é sintetizada a glicose, a principal fonte de energia do vivo.</p>
<h2><strong>ATP – Energia Viva<br />
</strong></h2>
<p>A respiração nas células é o transporte de elétrons de alta energia da glicose-fosfato para dentro da molécula de ATP.</p>
<p>Alguns elétrons da glicose ligados ao fósforo estão energizados com luz.</p>
<p>Os elétrons de alta energia são carreados dentro das células para serem armazenados em moléculas de adenosina trifosfato (ATP), o acumulador e processador de energia no corpo dos animais.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/respiração-celular.png" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1212" title="respiração celular" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/respiração-celular.png" alt="respiração celular" width="600" height="450" /></a></p>
<h2>O plasma estruturado</h2>
<p>O vivo pode ser considerado um plasma imantado</p>
<p>A molécula da água é imantada bem como as substâncias dissolvidas nela também o são.</p>
<p>A célula é a estrutura do processo do vivo. Todos os componentes de um corpo estão nela.</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>A célula é a estrutura do vivo como o átomo é a estrutura da matéria</strong></span>.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/celulanimal3.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1216" title="celulanimal3" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/celulanimal3.jpg" alt="célula animal" width="654" height="469" /></a></p>
<h2>Imantação do Vivo</h2>
<p>Polaridade da Membrana Plasmática</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/canais-de-sodio.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1217" title="polaridade da membrana" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/canais-de-sodio.jpg" alt="polaridade da membrana plasmática" width="396" height="151" /></a></p>
<h2>Auto-regulação de Si</h2>
<p>A membrana celular possui moléculas em sua superfície que regulam a forma das células.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/citoesqueleto.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1220" title="citoesqueleto" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/citoesqueleto.jpg" alt="citoesqueleto" width="327" height="237" /></a></p>
<p>O citoesqueleto é o precursor micro do macro esqueleto. Ele está regulado pela membrana celular e é através dele que a célula de movimenta.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/fg_actin.gif" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1221" title="actina e citoesqueleto" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/fg_actin.gif" alt="actina e citoesqueleto" width="355" height="256" /></a></p>
<h2>Comunicação e Gerência</h2>
<p>A membrana pode ser considerada como a precursora do sistema nervoso.</p>
<div id="attachment_1226" class="wp-caption aligncenter" style="width: 453px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/membrana-plasmatica.gif" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-full wp-image-1226" title="membrana plasmatica" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/membrana-plasmatica.gif" alt="" width="443" height="314" /></a><p class="wp-caption-text">membrana</p></div>
<h2>Comunicação</h2>
<p>A membrana é o regulador de pulso celular.</p>
<p>Proteínas de membrana</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/ion_channel.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1225" title="ion_channel" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/ion_channel.jpg" alt="membrana plasmática" width="320" height="320" /></a></p>
<h2>O pulso genético</h2>
<p>O genoma são as moléculas de DNA localizadas no núcleo das células e que contém o código químico de produção de um corpo. O código é para a produção de moléculas de proteínas e, em consequência, de diferentes ambientes orgânicos, durante as diferentes fases do desenvolvimento</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/6.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1251" title="código genético - " src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/6-1024x511.jpg" alt="a quimica do codigo genetico" width="620" height="309" /></a>O código químico</p>
<h2>Epigênese</h2>
<p>É o processo de seleção da expressão de genes (gene expressa moléculas de proteínas) ao longo de uma vida. Os ambientes orgânicos são alterados por mecanismos de inibição e liberação de genes.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/12.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1252" title="a cascata de expressão dos genes" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/12-1024x897.jpg" alt="epigênse: a cascata de expressão dos genes" width="620" height="543" /></a>Cascatas de mecanismos de controle da expressão de genes</p>
<h2>As moléculas morforreguladoras</h2>
<p>As moléculas de adesão celular (CAMs-proteínas) são as que regulam a forma e os ambientes internos  das células</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cam.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1249" title="CAM proteínas" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cam-859x1024.jpg" alt="CAM proteínas" width="620" height="739" /></a></p>
<p>As moléculas de adesão da matriz extracelular (SAMs-proteínas), regulam a forma e influenciam o ambiente interno das células.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/14.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1254" title="SAM " src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/14-566x1024.jpg" alt="SAM" width="566" height="1024" /></a></p>
<h2>Da escala micro a macro</h2>
<h2>Do genótipo ao fenótipo</h2>
<p><strong>Cromossomas</strong></p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/CROMOSSOMOS.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1229" title="cromossomos" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/CROMOSSOMOS.jpg" alt="cromossomos" width="450" height="352" /></a></p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>A expressão seletiva de genes</strong></span></p>
<p>O plano corporal de uma mosca das frutas (drosófila) é regulado pelos mesmos genes que regulam  a produção de um plano de corpo de um mamífero, inclusive o corpo humano</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/17.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1256" title="expressão seletiva de genes" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/17-619x1024.jpg" alt="expressão seletiva de genes" width="619" height="1024" /></a></p>
<h2>O Fenótipo</h2>
<p>O fenótipo como resultado da conjunção de forças genéticas, de agregação de mecanismos físico-químicos e de seleção conectiva (vínculo).</p>
<div id="attachment_1231" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/172.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-large wp-image-1231" title="172, bs1 encontro 6" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/172-1024x768.jpg" alt="bs1, encontro 6" width="620" height="465" /></a><p class="wp-caption-text">Fenótipo é a forma de cada um</p></div>
<h2>Do micro comportamento</h2>
<p>Uma célula (ameba)</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/ameba_jpg.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1232" title="ameba" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/ameba_jpg.jpg" alt="ameba" width="500" height="413" /></a></p>
<h2>Ao macro-comportamento</h2>
<p>Comportamentos complexos como uma relação afetiva</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cenasdeumcasamento.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1233" title="cenasdeumcasamento" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cenasdeumcasamento.jpg" alt="Cenas de um Casamento, Bergman" width="280" height="144" /></a></p>
<h2>A produção das formas</h2>
<p>Processo produção de um corpo (metamorfose)</p>
<div id="attachment_1253" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/2.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-large wp-image-1253" title="embrião rã" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/2-762x1024.jpg" alt="embrião rã" width="620" height="833" /></a><p class="wp-caption-text">as formas de um embrião de rã</p></div>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>A formação do tubo neural: </strong></span>o movimento do vivo sobre si mesmo</p>
<div id="attachment_1257" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/18.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="size-large wp-image-1257" title="tubo neural em formação" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/18-808x1024.jpg" alt="as dobras de tecido formam o tubo neural" width="620" height="785" /></a><p class="wp-caption-text">É um movimento que cria dobras</p></div>
<h2>Forma e Função</h2>
<p>As proteínas são as moléculas inteligentes do vivo. Elas mudam de forma e sua função também muda</p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>Uma anatomia polivalente<br />
</strong></span></p>
<p><span style="color: #aa0005;"><strong>Forma: função</strong></span></p>
<p><strong><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/proteinas.png" rel="shadowbox[sbpost-1189];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1260" title="proteinas" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/proteinas.png" alt="cada proteína tem uma forma diferente, de acordo com sua função" width="510" height="367" /></a><br />
</strong></p>
<p><object width="620" height="490"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NJxobgkPEAo?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/NJxobgkPEAo?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="620" height="490" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Para pensar formativamente</title>
		<link>http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2011/02/para-pensar-formativamente/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Feb 2011 14:52:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade subjetiva]]></category>
		<category><![CDATA[imagens]]></category>
		<category><![CDATA[video]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://laboratoriodoprocessoformativo.com/?p=1116</guid>
		<description><![CDATA[Um artigo de Regina sobre como usar o pensamento formativo. Construido a partir do video sobre a sua relação com a fotografia, este texto, recheado de imagens (e com o vídeo) mostra de forma clara e cartográfica o processo formativo em nós e o fazer do Seminário de Biodiversidade Subjetiva. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="trabalho erika " src="http://farm5.static.flickr.com/4084/5224669550_b6b699e433_z_d.jpg" alt="trabalho erika" width="640" height="480" /></p>
<p><strong>Na última e quarta parte</strong> dos Seminários de Anatomia Emocional e <a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2010/11/seminario-de-biodiversidade-subjetiva-2011/">Biodiversidade Subjetiva</a> estudamos como os corpos se fazem sempre dentro da história social e dos jogos coletivos de poderes e de valores.</p>
<p>A essa altura da aprendizagem encarnada do processo formativo, já é possível reconhecer, estudar e agir sobre os modos com os quais fazemos corpo nos nossos mundos com forças sociais e vínculos. E como estes modelaram e continuam moldando, nossa realidade somática e conectiva, segundo a lógica e a gramática formativas estudadas ao longo dos três módulos anteriores.</p>
<p>Até esse momento, então, muitas ações foram compondo a estratégia através da qual mergulhamos na evidência de que somos produtores e parte de um processo formativo contínuo, sempre seguindo o roteiro ampliado da <a href="http://books.google.com/books?id=v5gQmgCP9QgC">Anatomia Emocional</a>, na cena do Seminário em curso.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/AMBIENTE.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1116];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1165" title="ambiente formativo" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/AMBIENTE.jpg" alt="ambiente formativo" width="500" height="376" /></a></p>
<p>Sucedem-se falas formativas minhas, conversas entre e com o grupo, teoria e exercícios extraídos do próprio acontecimento individual e grupal, contemplação de gravações, de fotos, de ovos, solos dos participantes, intervenções clinicas pontuais, participação de colaboradores &#8230; alças de feedback sobre o acontecido, resultando numa produção de conhecimento corporificado e cartografado daquilo que é nosso foco constante: a produção dos corpos.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/producao-de-corpos.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1116];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1167" title="producao de corpos" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/producao-de-corpos.jpg" alt="" width="500" height="376" /></a></p>
<p>Os ovos contêm os diagramas do pensamento que organiza a experiência do processo formativo que vai se desdobrando ao longo dos encontros. Eles abrangem o como, o quando, o onde, as condições, os ciclos, os ritmos, os princípios com os quais se produzem os corpos, sua relação com a linguagem, com a história social, com a biologia molecular, com as neurociências e, sobretudo com o pensamento kelemaniano. Os ovos, quadro em forma de ovo, apontam para uma gravidez, uma possibilidade de sempre mais, para o que ainda não existe,sinalizando que esse modo de notação do acontecimento articulado à teoria da produção de corpo é uma força geradora de pensamento, como se fosse a mente do ambiente sendo gerada através do mapeamento do vivido.</p>
<p><img class="aligncenter" title="BS1, encontro 5" src="http://farm6.static.flickr.com/5287/5244799490_cc8e08b1b6_z_d.jpg" alt="BS1, encontro 5" width="640" height="480" /></p>
<p>À medida que as pessoas vão assimilando esse saber em seus corpos, em sua linguagem e em seus cadernos, vai se revelando, como uma realidade somática, que esses corpos imersos nesse campo corpante (<em>bodying field</em>) de cada grupo em particular, dentro dos ambientes maiores e menores, são bombas pulsáteis que funcionam como processadores ambientais &#8220;bebendo e babando ambiente&#8221;.</p>
<p>Os grupos, através desse dispositivo, têm a oportunidade de viver em tempo real, o <em>secretando</em> e o <em>modelando </em>corpo, o <em>intervindo</em> em suas formas através de práticas específicas, o <em>maturando,</em> no ato de co-corpar com as condições presentes, criando ligações que vão ganhando em eficácia na produção de si e da cognição.</p>
<p>É importante assinalar que, nesse pensamento que tem sua origem no pragmatismo americano, o <strong>uso do gerúndio como substantivo</strong> é de total importância para a comunicação da nossa condição processual que se evidencia na experiência.</p>
<p>Nesse final do programa, o design existencial de cada corpo em suas ações e expressões preservadas muscularmente pela memória do seu uso repetido, amplia seus sentidos. Contemplamos, nesse momento do grupo, através do acervo de fotos de cada um, os corpos em suas modelagens vinculares e sociais, seus caminhos formativos, sua participação e modos nos diferentes ambientes e a construção de sua trajetória até o presente. Sempre iluminando a questão de como esse corpo e com que forças e combinações musculares sustenta sua forma presente. E finalmente, descobrimos, dentro da lógica formativa de cada corpo, como intervir sobre essa configuração atualizando-a um pouco mais para que dê passagem às forças do presente, alimentando delas sua continuidade.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/trabalho-fotos.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1116];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1171" title="trabalho fotos" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/trabalho-fotos.jpg" alt="O trabalho com as fotos" width="640" height="120" /></a></p>
<p>Nesse ambiente de imagens, imagens são colhidas todo o tempo, em vídeo pelo cameraman presente no grupo e em foto pelo próprio grupo que passa a câmera fotográfica de mão em mão. Nessa fase final, em particular, trabalhamos com essa tarefa que se constitui na seleção de fotos de vida de cada participante, editando um continuum que mostre desde o nascimento até a vida adulta, as forças e os ambientes formativos que constituem sua forma somática subjetiva atual.</p>
<p>Desejo com essa estratégia <strong>transmitir um sentimento poético de concretude e presença</strong>, como se colocássemos essas fotos num slideshow acelerado e pudéssemos ver um corpo crescendo e se metamorfoseando dentro de sua lógica formativa particular. Vamos, ao mesmo tempo, encontrar na forma atual de cada corpo essas direções do crescimento em ação, configuradas num jogo de forças e sentidos.</p>
<p><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/DSC037541.jpg" rel="shadowbox[sbpost-1116];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1173" title="paulo" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/DSC037541.jpg" alt="paulo" width="640" height="480" /></a></p>
<p>O trabalho com essas imagens da história pessoal em transparências no retroprojetor, é um momento de grande intensidade emocional e cognitiva. A luz incandescente de um equipamento manual é importante para esse clima de aparição, do que foi vivido há muito tempo e ainda está lá.</p>
<p>As imagens – sejam elas das gravações ou das fotos, atuais ou da trajetória de cada um, entre outras muitas razões –, são importantes por nos fornecerem evidências (evidência, vidência, ver, ler o design do que se vê, ter a experiência imediata) de que <strong>os corpos vivos são ação lentificada, solidificada em tecido e estão sempre em ação</strong>, modelando ações&#8230; alguma ação&#8230; <strong>sobre si mesmos e sobre o ambiente</strong>&#8230; <strong>uma anatomia de tubos dentro de tubos</strong> tal como descreve Keleman em sua Anatomia Emocional, pulsando, trazendo para si, conduzindo, processando através de uma infinidade de ações, em múltiplos níveis interconectados, moldando-se e expressando-se sobre o ambiente,articulando-se ou afastando-se dos outros corpos, de quase infinitas maneiras(n-1), sempre produzindo a si mesmo e aos ambientes de algum modo.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2759/4414989245_35984c17f1_d.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p><img class="aligncenter" src="http://farm5.static.flickr.com/4060/4415773498_01f750722a_d.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Esse modo de <strong>funcionamento em múltiplas camadas do acontecimento no ambiente-seminário</strong> resulta em um reconhecimento constante dos modos de funcionamento ali-no-presente e uma relação cada vez menos narcísica, seja negativa ou positiva, com as próprias imagens, o que resulta numa naturalidade que é captada dentro da artificialidade evidente da presença dos elementos de gravação e exibição de imagem&#8230; Captar imagem, deixar-se captar, assistir-se, reconhecer-se, exercitar gramáticas, praticar o ato de corpar, os diferentes aspectos do design anatômico dos comportamentos, ações e expressões torna-se uma linguagem cada vez mais corrente nos grupos sob minha regência.</p>
<p>Reger o processo grupal, para mim, Regina, em seu fluxo contínuo de presenças somáticas e ações que as sustentam, é, por excelência, o exercício do contato imediato e encarnado com o acontecimento vivo que me alimenta na criação da linguagem e do conhecimento formativos. O acontecimento vivo, em sua metamorfose permanente, requer uma posturação dos afetos, uma poética e uma oralidade específicas para que se comunique.</p>
<p>Nessa fase final dos seminários, trabalhamos mais diretamente sobre a ampliação e aprofundamento da potência e capacidade pessoal de produzir e sustentar diferença e conexão dentro do ambiente maior com suas características particulares de <a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2010/12/trabalhando-pela-biodiversidade-subjetiva/">produção da subjetividade contemporânea</a> (clique no link para ler o artigo <a title="Trabalhando pela biodiversidade subjetiva" href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2010/12/trabalhando-pela-biodiversidade-subjetiva/" target="_self">Trabalhando pela Biodiversidade Subjetiva</a>) que se expressa em todos os vínculos, próximos e distantes.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://farm5.static.flickr.com/4082/4753417156_fb8b19898e_z_d.jpg" alt="" width="640" height="480" /></p>
<p>No vídeo abaixo, na intimidade do grupo, falo sobre minha memória da imagem caseira ou amadora da infância e sobre a cultura da imagem da pessoas comuns gerada por tecnologias acessíveis a todos na vida afetiva dos diferentes coletivos e como esse meu <em>bloco de infância</em> (Guattari) está ativado nessa prática grupal que descrevo.</p>
<p>O interesse desta vídeo-edição em particular, está no registro da intimidade quase caseira de alguns dos tons e climas em que a aprendizagem formativa às vezes se dá no Laboratório do Processo Formativo.</p>
<p><object id="playerFlash" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="375" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="flashvars" value="id_video=615804" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="wmode" value="opaque" /><param name="src" value="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=615804&amp;relacionados=true&amp;default=S&amp;lang=PT_BR&amp;cor_fundo=ffffff&amp;cor_titulo=00cce0&amp;hd=true&amp;swf=1&amp;width=500&amp;height=375" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="playerFlash" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="375" src="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=615804&amp;relacionados=true&amp;default=S&amp;lang=PT_BR&amp;cor_fundo=ffffff&amp;cor_titulo=00cce0&amp;hd=true&amp;swf=1&amp;width=500&amp;height=375" wmode="opaque" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" flashvars="id_video=615804"></embed></object></p>
<p>Alguns trechos re-editados desta gravação:</p>
<p>A máquina fotográfica Kodak de caixote foi inventada por George Eastman, um pequeno funcionário de banco em meados do século 19. Foi uma invenção de gênio, tão simples, que se disseminou vertiginosamente e virou imediatamente a companhia de todas as pessoas. Todos passam a registrar suas vidas. As mulheres, por exemplo, começam a fotografar porque é fácil. Anúncios dessa época trazem moças super naturais, com seus chapéus, suas saias, fazendo piquenique e fotografando&#8230; com sua câmeras Kodak.</p>
<p>Podemos nesse tipo de cena como ver como o acesso fácil aos bens e saberes é parte do espírito democrático americano. Surge aí aquela coisa prática, o snapshot, o instantâneo, a tomada rápida no cotidiano das pessoas que vai alimentando a cultura de guardar momentos da naturalidade e da simplicidade do cotidiano que os americanos tanto prezam. Essa é uma visão democrática que reconhece que todo mundo tem uma vida e todas as historias são importantes. Mas ao mesmo tempo, essa prática inocente inicia um novo modo de representar as vidas e começa a dar forma à futura sociedade do espetáculo&#8230; esse é o paradoxo.</p>
<p>Quando evoco aqui a produção caseira Kodak do meu pai, estou falando do direito de cada cidadão ter a sua própria produtora de imagens, um exercício que também pode nos proteger da estereotipia em nosso processo formativo. Quando pescamos uma imagem nossa no nosso acervo de fotos, como vamos começar a fazer hoje, reativamos essas imagens e contribuímos para salvar da homogeneização espécies de comportamentos destinados à extinção pela ação da mídia. Salvamos espécies de comportamento e podemos voltar a cultivá-las e maturá-las.</p>
<p>A apropriação tecnológica do snapshot é totalmente simples e fácil, tanto que se expandiu e dominou o mundo. Dependendo de como se opera, pode ser vivida de uma maneira íntima, própria, afetiva, não-glamourizada ou estereotipada.Com o despiste que fazemos aqui gravando, mostrando, problematizando as ações e as formas, corpando, experimentando, brincando, vivendo, emocionando, conversando, tudo ao mesmo tempo, estamos trabalhando com a imagem e imagens no melhor sentido desse tipo de foto americana.</p>
<p>O valor da naturalidade americana dos corpos e a possibilidade de captar o único de cada um que os fotógrafos americanos trouxeram para o mundo das imagens abriu uma outra possibilidade para os corpos antes capturados pelas imagens do poder e da persona na fotografia posada. A tecnologia barata aqui tem esse grande valor de descolonizar, em primeiro lugar, o olhar sobre si gerando um resultado que é a funcionalidade dos corpos que com a ajuda dessa prática vai se instalando. Nós aqui vamos ao mesmo tempo praticando corpar, trazer as imagens sobre o próprio processo biológico de crescer um corpo (<em>to grow a body</em>) que é aquilo que ocorre em cada um: cultivar, secretar corpo continuamente segundo imagens de si.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2701/4410503757_04dfaf45f0_z_d.jpg" alt="" width="640" height="424" /></p>
<p>Existe uma receita genética de crescimento. Mas é uma receita de crescimento social (vincular) que vai sendo modelada pelo interjogo de imagens de si e o suporte afetivo das intensidades. É assim que se constrói um corpo.</p>
<p>Aqui, à medida que vamos tendo esse retorno de nossas imagens sobre nós e que vamos praticando essas imagens no nosso próprio processo de corporificação, vemos o embelezamento e a naturalidade surgindo nos corpos. O embelezamento dado pela naturalidade e funcionalidade que emerge nesse tipo de uso dos corpos. Praticamos aqui funcionar a partir do nosso presente corporal&#8230; tal como o vemos e o reconhecemos&#8230; Então podemos assumi-lo.  Vemos, então, que beleza não é o ideal, mas está diretamente relacionada com o funcional.</p>
<p>Minha relação com fotografia passa pelo meu pai. Meu pai sempre fotografou, sempre filmou, quando eu era criança. Quando eu tinha 5 anos, meu pai foi uma vez para o Rio de Janeiro e comprou uma câmera 8. Ele passou a gravar o cotidiano da gente, na rua, os vizinhos, a praia quando a gente tirava férias, aniversários. Era aquela coisa de 2 minutos, um rolinho desse tamanho que ele mandava revelar nos Estados Unidos. E quando voltava a revelação, juntava um monte de vizinhos de noite em casa, minha mãe fazia um bolo. Todo mundo assistindo cenas da nossa vida na parede da sala de jantar&#8230; olha fulano!&#8230; passa de novo, passa de novo!&#8230; O projetor emitia um cheiro inesquecível da lâmpada esquentando a pintura.</p>
<p>A fotografia sempre foi muito importante para mim&#8230; minha avó que morava com a gente veio da Bahia. Ela deixou a Bahia para trás e trouxe o que ela pode na mala&#8230; restos da casa, roupas, a camisinha de batizado do meu pai, a escritura da casa vendida, milhões de coisas&#8230; o guarda-roupa dela era um brechó absoluto. Abria o guarda-roupa e aquele mundo invadia a gente.</p>
<p>Ela tinha misturado&#8230; santinho, santinho de missa de sétimo dia de um de outro parente, fotos de família, era uma misturança&#8230; eu não sabia quem era parente, quem era santo, quem era morto, eu não sabia quem era quem . Ela me deixava brincar com aquilo tardes inteiras. Eu ia para o quarto dela e brincava, botava as fotos, botava os santos todos pelo quarto. Era a Bahia que baixava naquele mundo imaginário. E ela contava histórias sem fim&#8230; fulano, beltrano.. ela era ótima para contar histórias, ela ia do drama ao cômico&#8230; era uma grande contadora de histórias.</p>
<p>Esse imaginário das fotos foi sempre muito forte para mim. Eu aprendi cedo a gostar de imagens. Meu pai sempre fotografou muito, sempre contaram muitas histórias a partir de fotos na minha família. Tios gostavam de fotografar&#8230; era a influência da fotografia americana, do valor da pessoa cotidiana, da pessoa normal na fotografia, com essa naturalidade&#8230; desse tipo de fotografia que são fotos não posadas. Acho que tem totalmente a influencia desse tipo de fotografia no nosso trabalho aqui, desse olhar, que passa pelo meu pai, passa por essa cultura&#8230; essa mistura de imagens da minha casa. Os livros de medicina do meu pai misturados com a revista Life dos anos 40 na estante da sala. Aquelas fotos absolutamente fantásticas da revista Life, tanto de cenas boas como cenas de guerra, de soldados, de judeus nos campos de concentração, as pilhas de corpos&#8230; e aqueles livros de medicina onde eu via aqueles corpos pelados, aqueles livros de patologia clinica do meu pai&#8230; eram aqueles peitos com tumor, aquelas línguas estouradas, aquelas bocetas horríveis&#8230;. foi assim que eu entrei em contato com esse corpo que é misturado com histórias vividas. É a presença do meu pai nesse tipo de olhar.</p>
<p>Esse gosto de mexer com imagens&#8230; acho que ter reencontrado, nos 15 anos que frequentei o ambiente Keleman , esse tipo de imagem americana&#8230;que eu amava&#8230; encontrei isso em Berkeley &#8230; havia uns brechós maluquíssimos onde a gente encontrava todos os elementos do imaginário americano em nós&#8230; bacias e bacias de fotos de gente, snapshots, instantâneos da vida das pessoas, sobretudo dos anos 40. Era a cara das fotos que tínhamos na nossa casa. Comprei muitas fotos dessas. Fotos de vidas normais&#8230; o menino com o cachorro, a criança na banheira, as irmãs mostrando a roupa que se acabou de costurar. Coisas do cotidiano mais cotidiano possível&#8230; eu amava essas fotos&#8230; Vi também, nessa época, uma exposição que encheu o SFMOMA de snapshots&#8230; todas as paredes, todos os andares&#8230;</p>
<p>E o Keleman tinha esse gosto também pela imagem, com esse tipo de gravação caseira. Sempre encontrei no mundo dele essa gravação caseira, que tem sua origem na Kodak que facilitou para as pessoas levar para o cotidiano delas a possibilidade de serem artistas do próprio cotidiano. O Keleman praticava isso e isso me encantava participar dos seminários dele, interagindo com ele, esse trabalho em que o pensamento se dá ser através da imagem, das pessoas se verem e se trabalharem  através desse monitoramento pela imagem&#8230;</p>
<p>Fui me apropriando dessa forma de trabalhar e complexificando-a. Mas (re)encontrar nele o gosto parecido com o gosto que meu pai tinha foi muito forte para formatar e confirmar meu olhar nessa maneira de trabalhar e pensar.</p>
<p>Então é isso: as fotos têm uma raiz muito profunda na minha história, no meu gosto pelas imagens. Imagens que permitem suspeitar histórias de corpos em suas vidas e seus mundos&#8230;</p>
<p>Regina Favre – janeiro 2011</p>
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		<item>
		<title>[artigo] Trabalhando pela biodiversidade subjetiva</title>
		<link>http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2010/12/trabalhando-pela-biodiversidade-subjetiva/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 18:24:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade subjetiva]]></category>

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		<description><![CDATA[O que é biodiversidade subjetiva? E o processo formativo? Conheça a trajetória filosófica do pensamento de Regina Favre neste artigo, publicado no originalmente no Cadernos de Subjetividade, 2010, Núcleo de Estudos e Pesquisas da Subjetividade, Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica, PUC-SP]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Artigo publicado originalmente no Cadernos de Subjetividade, 2010, Núcleo de Estudos e Pesquisas da Subjetividade, Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica, PUC-SP</em></p>
<p><a href="http://farm5.static.flickr.com/4148/5062651485_7704571d22_d.jpg" rel="shadowbox[sbpost-870];player=img;"><img class="aligncenter" title="Regina Favre no Seminário de Biodiversidade Subjetiva" src="http://farm5.static.flickr.com/4148/5062651485_7704571d22_d.jpg" alt="Regina Favre no Seminário de Biodiversidade Subjetiva" width="500" height="375" /></a>Conceitos e práticas são parte da história cultural. Acredito que os saberes e práticas corporais, tais como nós os concebemos hoje estão enraizados na Europa, nos meados do século XIX, como um subproduto da sociedade industrial. A mudança da produção artesanal para a produção industrial remodelou completamente as tradições culturais e artísticas, as concepções sobre forma e linguagem, valores, aparência das cidades, ruas, casas, seus interiores, exigindo um novo uso dos corpos para produzir e incorporar todas estas realidades. A pressão vinda do aumento das intensidades, dos problemas e dos benefícios produzidos pela indústria imediatamente sacudiu os modos de uso anteriores do corpo.<br />
Ao mesmo tempo, entre outras transformações filosóficas e científicas, Darwin, com sua teoria evolutiva promove a maior revolução na auto-imagem do homem desde o início da história, retirando o criador de uma vez por todas da cena e apresentando os homens à sua animalidade e capacidade adaptativa, permitindo, a cada um, ver em seus corpos a continuidade dos corpos em sua cadeia evolutiva.<br />
Com Darwin, o corpo, pela primeira vez, torna-se real e acessível como comportamento e funcionalidade solidificados anatomicamente enquanto espécie, podendo moldar-se de maneira individual.</p>
<h3>Como o capitalismo industrial e o conhecimento moderno do corpo cresceram juntos</h3>
<p>O capital e seu poder, inicialmente, tinham a configuração visível de fortunas familiares turbinadas pelas novas indústrias. Mas isso foi só o começo.<br />
Com todas as transformações dos poderes, dos sentidos, das tecnologias industriais, da velocidade de transporte e dos novos modos de produção e distribuição do dinheiro, novas noções e práticas dizendo respeito à auto-regulação e autonomia dos corpos estavam prontas para aparecer e mesmo urgiam ser formuladas como um antídoto dos primeiros sinais do estresse da cultura ou doenças emocionais tais como começavam a ser observadas nesse momento.<br />
A mesma velocidade pode ser vista na multiplicação de técnicas corporais que, na verdade, não são apenas técnicas, mas métodos que refletem as diferentes perspectivas do corpo necessitando regular a si mesmo.<br />
A invenção da juventude, também nesse início de século, conta enormemente como uma importantíssima configuração social da subjetividade e é um capitulo a parte, sem dúvida, a ser incluído no tema do corpo.<br />
Rompendo os limites dos ambientes acadêmicos e médicos, lugares tradicionais do saber, pesquisas e experimentos conduzidos por indivíduos ou pequenos grupos independentes na Europa, resistentes ao modelo corporal difundido pela escola de educação física de Berlim, foram fundamentais para o desenvolvimento das práticas e teorias corporais que moldaram essa nova cultura, praticamente, entre os anos 20 e o final da 2ª Guerra.</p>
<p>Esses jovens precursores que, para abrir a sensibilidade de seus corpos aos acontecimentos que se constelavam em torno da 1ª guerra, foram experimentando seu potencial somático como um aprofundamento trágico do presente corporal vivido e se contrapondo à rígida, autoritária, perigosa e estéril forma do corpo moldado pela educação militarista germânica. Esses devem ser considerados o marco zero da futura cultura de corpo que afetará a todos nós. A figura de Elsa Gindler cujos grupos eram freqüentados por certos psicanalistas também resistentes, entre os quais se inclui Reich, é paradigmática nesse novo modo de subjetivação do corpo que começa a se configurar precisamente nesse momento.<br />
Escapando da destruição que se avizinhava, atraídos pela promessa da democracia na América, esses pioneiros europeus que em duas décadas já haviam se tornado criadores e praticantes dessas novas concepções corporais, migraram para um ambiente onde essa nova cultura iria encontrar total acolhimento na tradição filosófica do pragmatismo americano, nos valores do corpo e da vida natural celebrados pela literatura, da disciplina interior, da experiência religiosa e da iluminação, e principalmente, da imensa prosperidade e otimismo do pós-guerra.<br />
A partir deste encontro, floresceu nos Estados Unidos, em meados dos anos 50, associada às filosofias sociais da época, a cultura à qual nós nos consideramos pertencer e sobre a qual devemos fazer uma operação crítica para que possamos utilizá-la. Nesse momento, também, a cultura americana apontava para um caminho de expansão por todo o planeta.</p>
<h3>O Fordismo e a modelagem serial dos corpos<span id="more-870"></span></h3>
<p>Philip Cushman(“Constructing the self, constructing America”,1995) explica esta função de superexpansão. “Uma das tarefas dos anos 50 era converter a sua poderosa máquina de guerra internacional numa economia de paz, viável internacionalmente. Isso não era uma tarefa fácil num momento em que o país vinha de recessões com o espectro da Grande Depressão nunca longe da memória das pessoas. Mas nas décadas que se seguiram imediatamente à 2ª Guerra Mundial, a economia dos Estados Unidos aprendeu uma das lições mais importantes da guerra: para estar fora da depressão, o capitalismo do século 20 tinha que basear sua economia numa contínua produção do consumo de bens e serviços. Portanto, os grandes negócios tinham que desenvolver modos de vender bens que não fossem essenciais nem bem-feitos. Em outras palavras, o país estava agora dependente de produzir e vender produtos não essenciais e rapidamente obsolescíveis. Serviços e experiências que, para comprar, os consumidores nunca pudessem economizar o suficiente. Portanto, os bancos passam a ter que desenvolver novas formas de crédito fácil. Consumir em vez de poupar, permitir-se em vez de sacrificar-se, tornou-se o estilo predominante. Pessoas passaram a tomar conhecimento de novos produtos no pós-guerra através dos anúncios de rádio, revistas, jornais e televisão e, muito rapidamente, através dessas mídias, passaram a aprender como manejar suas vidas e finanças. Para se manter “científico”, moderno e saudável, era absolutamente necessário consumir continuamente novos produtos domésticos. Assim uma nova configuração do self tinha que ser construída.”</p>
<h3>Como esta força modeladora é percebida no Brasil</h3>
<p>Nicolau Scevcenko (“Historia da Vida Privada no Brasil – vol. 3”, 1998,), observou como esta nova configuração afetou a percepção brasileira. “Com a 1ª. Guerra Mundial, a indústria de cinema européia colapsou e os Estados Unidos herdaram tudo, construindo um monopólio virtual de produção, distribuição e exibição mundial. Com o surgimento do cinema falado e os aumentos incríveis dos custos de produção, os pequenos estúdios foram à bancarrota e apenas as grandes corporações de Hollywood sobreviveram. Os sistemas de estúdio foram desenvolvidos racionalizando, otimizando e reduzindo consideravelmente os custos e na sua contrapartida promocional foi criado o mito das estrelas. Os filmes de Hollywood criaram e espalharam como um dogma o padrão de beleza das estrelas de cinema que se tornaram as alavancas principais e promocionais de novos hábitos de consumo e estilos de vida identificados com o “american way of life”. Vinícius de Moraes, poeta brasileiro e diplomata, tem um poema desta década chamado “História Apaixonada, Hollywood, Califórnia” no qual ele se coloca numa posição onde toda a sua vida é reinterpretada como uma sucessão de clichês hollywoodianos. O modo de sentar, dirigir o carro, encarar uma garota , namorar ao pôr-do-sol, segurar um copo, flertar, flertar e ser esnobado, comer fast-food, chamar o garçom, as roupas que ela usa, jogar boliche, o meio sorriso sarcástico, a súbita mudança de humor, o modo de acender um cigarro com uma única flipada do isqueiro. Tudo isso vinha da tela do cinema. O poeta sente que a sua vida não vem da sua interação com as pessoas em volta dele, mas, em vez disso, de um time de técnicos desconhecidos do outro lado do continente. Isso não é um exagero. O cinema é uma arte complexa, uma soma de técnicas revolucionárias de comunicação visual, tais como close-ups, efeitos emocionais dos recursos de edição – como ritmo, som, música, expressão facial e corporal, o glamour da juventude, as coreografias atléticas, as maquiagens, os penteados, o guarda-roupa, os cenários e mais do que isso o poder esmagador do sex-appeal. Tudo isso ampliado numa tela colossal irradiando o seu brilho prateado e hipnótico na escuridão do cinema. O que Hollywood levou às últimas conseqüências foi a descoberta, em grande parte tomada dos surrealistas e expressionistas que escaparam da Europa nos anos 30 e encontraram trabalho na Califórnia, de que os filmes são uma arte para os olhos e o corpo inconsciente e não para o intelecto e o discurso verbal.”</p>
<h3>Quando os filhos do Papai Sabe Tudo cresceram&#8230;</h3>
<p>Podemos ver, então, como a América do pós-guerra dos anos 50 ganhou a sua versão glamurosa internacional, primeiramente por essa auto-modelagem cinematográfica altamente cobiçada por todos.<br />
Finalmente nos anos 60, a modelagem subjetiva da juventude espalha-se com o cinema e a música: o rebelde que não quer o estilo de vida dos seus pais para si, a formatação anterior que foi rigidamente modelada pelos valores e comportamentos da sociedade de consumo.<br />
Da arte moderna, da dança moderna, do modo de representar do Actor´s Studio, da literatura beat para a cultura do rock, para o movimento feminista, para o movimento hippie, para o movimento psicodélico, para rebeliões estudantis de 68, para a contracultura, para a cultura alternativa, foi um pulo.<br />
Entre os jovens, outro modo de conceber o corpo e novas práticas de si passam a ser desenhadas. Nesse preciso momento, a herança da resistência corporalista germânica à rígida modelização do pós-guerra americano se faz útil e presente face esse apogeu do corpo protestante.<br />
Na onda dos novos movimentos sociais, as práticas corporais trazidas pelos humanistas europeus imigrados para a América, passam a ter um grande papel na desconstrução dos usos de si profundamente desvalorizados por esta geração e na composição de novos usos do corpo. Grupos, turmas e amigos identificados com o espírito dessas práticas e idéias se agregam, sobretudo em Nova York, o melting pot, impulsionando novos modos de se relacionar, trabalhar, viver, ter sexo e, mais adiante, conceber família e gênero, dinheiro, educação, raça, cultura, política e poder.</p>
<h3>Os novos paradigmas voltam para a Europa</h3>
<p>Movida pela mesma fé na mudança, na aventura e no desafio de si até o fundo de si, esta nova cultura corporal, influenciada nos Estados Unidos pelas idéias libertárias de Reich, também imigrado com seus pares alemães, já remodelada nos Estados Unidos, se reexporta para a Europa. E ali encontra as sementes deixadas por Reich que já estavam produzindo frutos a partir das várias tendências educacionais, terapêuticas, psicoterapêuticas que já estavam abertas, famintas, para se misturar com o modelo americano. Esta nova cultura proliferou rapidamente como modos coletivos de viver e fazer, expressões culturais e artísticas, comunidades urbanas e rurais, núcleos de crescimento pessoal, psicoterapia, praticas corporais e ativismo político.<br />
Nos anos 70, tanto na Europa como nos Estados Unidos, práticas e métodos, fossem exercidos como atividades de grupo ou psicoterapêuticas , manipulações de corpo ou exercícios, passaram por uma multiplicação espantosa. As pessoas ansiavam por mudança, mudando seus corpos. Juntavam-se a grupos, buscavam terapias, desejavam se tornar terapeutas.<br />
Os group leaders exerciam uma influência extraordinária na vida das pessoas.<br />
Havia um ideal de criar um mundo à parte, dito alternativo, que poderia influenciar o sistema de fora para dentro.</p>
<h3>Enquanto isso, abaixo do Equador&#8230;</h3>
<p>No Brasil, desde os meados dos anos 60, o Tropicalismo, como um movimento artistico, literário, musical e político, expressava a urgência para nós de espanar nossas tradições conservadoras, caminhar contra o vento, sem lenço e sem documento, e incorporar o novo crescimento industrial, reformatar nossos corpos e absorver a nova realidade mundial que explodia nas bancas de revistas. Levantava-se aqui também uma força desconstrutora e proliferante similar, guardadas as proporções, àquela surgida durante a primeira guerra em torno de Berlin.<br />
Com a atmosfera letal das ditaduras latino-americanas, muitos brasileiros se tornaram política ou existencialmente exilados. A afinidade com nossa necessidade, certamente, permeabilizou-nos e atraiu-nos para esses novos paradigmas de libertação através do corpo que prosseguia em seu crescimento, principalmente, na Inglaterra, solo fértil, então, para os novos padrões de comportamento. Muitos se abrigaram nessa London London.<br />
Em 75, algumas pessoas portadoras dessa marca, ao voltar para o Brasil, participam da fundação do curso de psicoterapia corporal no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Nos anos 80, em busca de formação profissional, alguns grupos já poderiam ser vistos montando no Brasil workshops com representantes de escolas de psicoterapia corporal que já se haviam organizado internacionalmente e estavam se difundindo no mercado. E no final dos anos 80, um número crescente de pessoas ligadas a essas escolas já formatadas como empresas, representantes de formações profissionais reichianas e neo-reichianas, já tinha se instituído.<br />
Não se pode deixar de mencionar as forças da invenção, da alegria e da liberdade que continuaram a se expressar em certos grupos e encontros dessa geração de profissionais e militantes denominados reichianos, gerando frutos que prosseguiram e se diversificaram.</p>
<h3>Teorias e vidas no Brasil: condições específicas</h3>
<p>Essas idéias e práticas fizeram sentido no Brasil, de um modo muito peculiar, diferente daquilo que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos. Num primeiro momento, elas se juntaram às forças que culturalmente combatiam os efeitos destrutivos da ditadura nas vidas das pessoas.<br />
É bem conhecido como a psicanálise, um certo tipo de psicanálise militante, que era altamente desenvolvida tanto no Brasil como na Argentina, desempenhou um papel importante como aliada nesta cultura de resistência política. Então, era completamente natural que certos divãs generosos no Brasil abraçassem a causa e gestassem o então chamado movimento reichiano recém-nascido. Assim, fica também evidente que, dada essa afinidade, o reichismo que inicialmente vingou no Brasil foi o da Análise do Caráter, em suas variações, considerado na sua época, anos 30, um avanço político e metodológico, em relação às idéias de Freud.<br />
J.A. Gaiarsa, inimigo declarado da psicanálise e com grande acesso à mídia, tem um papel importantíssimo na criação de um campo onde toda uma geração foi introduzida a uma cultura reichiana despsicanalizada. Mesmo assim, o primeiro grande esforço assimilativo no campo psicoterapêutico brasileiro corporal dos anos 70, foi a busca de uma estruturação teórica de respeito face a cultura psi pré-existente. Acontece uma tentativa de assimilação de uma base psicanalítica para sua prática, encontrar um lugar para noções tais como id, ego, superego, inconsciente e transferência. Entretanto o corpo em toda a sua força e maravilha permanecia intocado teoricamente.</p>
<h3>O novo capitalístico, novas teorias e práticas do corpo</h3>
<p>O capitalismo, quebrando fronteiras nacionais, começa a operar como mundial e integrado. A narrativa familiar, como pano de fundo das nossas vidas e trilha da visão psicanalítica, mostra-se como uma pequena parte da narrativa histórico-mundial e a história social exige importância na hermenêutica da subjetividade.<br />
Isso mostrava que havia uma resposta metodológica e teórica para o capitalismo industrial de base patriarcal e seus efeitos nos corpos subjetivos, e uma outra, bem diferente, que pressionava por formulação e invenção de novos modos de nos valermos de nosso patrimônio biológico e organizar novos modos funcionais de viver a nova realidade mundial.<br />
A Análise do Caráter e a Função do Orgasmo, centrais na teoria e prática reichianas, atendia às necessidades das formações subjetivas produzidas no capitalismo durante seu estado de industrialização. A repressão da energia sexual e seu subseqüente reinvestimento no caráter, com o comprometimento da liberdade orgástica, a neurose, era um assunto da sociedade industrial de modelo patriarcal com seu modo de produção baseado nessa maneira edipiana de operar as relações reprimindo, autoritariamente, a libido. A organização do caráter rígido desse corpo autoritário foi o foco da atenção política e clínica de Reich com sua noção de couraças.<br />
A coexistência com os modelos familiares certamente prossegue, entretanto a estruturação do sujeito passa a ser regida mais evidentemente por outras forças mais amplas e gerais. Com esta nova conjunção de interesses de mercado e de grandes corporações, agora fundidas internacionalmente, não mais a repressão, mas a falta passa a ser central.<br />
Essa ênfase na repressão deve se tornar então o alvo da descontrução a ser operada pela compreensão da estratégia capitalística como captura do desejo e estimulação da perpétua falta de algo que nos preencheria e completaria. As imagens e a mídia passam a desempenhar o papel principal, como veremos adiante.<br />
No início dos anos 80, começamos a ter acesso a idéias sobre o capitalismo contemporâneo, trazidas por Guattari, cujas visitas ao Brasil nos contaminavam com um sentimento spinozista de imanência e potência da vida se fazendo. Mesmo que não se mergulhasse profundamente no seu estudo, respirava-se com ele uma nova realidade emergindo, sobretudo levados por uma nova alegria com o fim da ditadura e a chegada dos novos ares do PT que nascia.<br />
Mais adiante, nos anos 90, as noções de multidão como visão da nova realidade social que se apresentava num mundo já então inteiramente globalizado, trazida por Toni Negri, acentua nossa experiência existencial como molecularizada, fragmentária, em luta pela auto-organização e conectividade dentro dos novos modos de vida minoritários e trabalho desvinculados do emprego e das familias em seus devires. Uma nova estratégia social e corporal se faz necessária para que se efetue a nova luta.<br />
A velocidade do capitalismo contemporâneo, à luz dessa visão, torna evidente os corpos e seus mundos formando-se e reformando-se, continuamente, segundo regras coletivas muito precisas.<br />
Esses filósofos se referiam a essas regras como a produção social de modos de subjetivação que, agora, eram desenvolvidos pelo mercado, no interjogo de poderes, valores e interesses comerciais, como modos selecionados de tomar forma. Essa era uma revelação.<br />
Mas prosseguia com grande frustração, a necessidade de um conceito de corpo enquanto processo biológico autopoiético que se acompanhasse de uma prática intimamente conectada com o processo de produção de corpo, parte de um auto-gerenciamento do processo de nossas vidas no mundo, que honrasse as leis mais primárias do vivo. Estou falando de uma necessidade de contemplar o corpo dentro de uma compreensão evolucionária como solidificação de comportamento.</p>
<h3>Falando na primeira pessoa</h3>
<p>Entre 85 e 92, a questão de uma nova posição na clínica, no ensino e na vida coloca-se para mim. Após ler o recém-publicado “Anatomia Emocional”(Summus), precisamente em 86, descubro seu autor Stanley Keleman e me aproximo de seu conceito de processo formativo. Essa leitura funcionou para mim como um satori. Com ele, pude, finalmente, acessar um conceito visual e encarnável do corpo como um processo que se estendia dos inícios da biosfera deste planeta, produtor e produzido por processos físicos e sociais, canalizando e secretando a si mesmo como uma força protoplasmática, continuamente, através das forças biológicas presentes em cada vida em particular, gerando e sustentando ambientes físicos e sociais como resposta a uma necessidade inata conectiva e formativa. Todo o meu movimento em direção a Keleman, um verdadeiro pensador contemplativo ocidental de tradição pragmatista e darwinista, americano, gestado na cultura do corpo novaiorquina dos anos 50, alternativa também para visões budistas que se difundiam, veio, certamente, da insatisfação com a visão caráctero-analítica, mas, principalmente, da minha dificuldade em encontrar uma operatividade corporal precisa nas concepções que visitei de metaestabilidade em Simondon, de corpo sem órgãos em Deleuze, bem como de autopoiese e inação em Francisco Varella, ideias que me iluminaram e contribuíram para meu afastamento das cartografias reichianas.<br />
Foi muito feliz a minha escolha por Keleman. Em seguida, comecei a cuidar da tradução de seus livros, a me corresponder com ele e, finalmente, em 1992, a freqüentar seus workshops em Berkeley, Califórnia. Esse contato seguido que durou 15 anos fui um tempo suficiente para devorá-lo, digeri-lo e assimilá-lo&#8230; antropofagicamente, brasileiramente.Naquele exato momento, sonhei com a perda de uma criança na multidão e, logo a seguir, com concepção de um corpo velho personificado por Kazuo Ono, que aparece deitado numa posição fetal dentro de uma banheira cheia de barro.<br />
A ilusão infantil da individualidade estava indo embora dando lugar a um corpo recentemente concebido para formar maturidade, feito de multiplicidades e devires. Enfim, podia me identificar com um modelo de clinicar, pesquisar e ensinar, bem como com uma filosofia do corpo que me permitia pensar e agir como parte de realidades maiores.</p>
<h3>As visões formativas de Keleman e sua metodologia</h3>
<p>(Edição de um conjunto de idéias de Keleman a partir de seus livros, papers não publicados de seus seminários, do site www.centerpress.com, de notas de workshops, de comunicações pessoais, de muitos emails, de muitas conversas e trabalhos clínicos pessoais)</p>
<p>Ressoando para mim com o espírito imanente da caosmose também presente no jamesonismo de que Keleman se considera descendente, diz em sua linguagem biológica contemplativa, que vivemos dentro de um oceano orgânico, uma manta viva chamada biosfera e que, como sistemas vivos, nós, organismos, fazemos a mesma coisa que a biosfera como um todo: nos estendemos, nos encolhemos, formamos sub-organizações, exatamente como o unicelular. Este é o modo pelo qual nós cultivamos conexões com o mundo e formamos também conexões internas de subsistemas do self. Somos móteis e pulsáteis, e a evolução nos dotou de um sistema cortical voluntário cujo esforço mobiliza o pulso vivo do corpo para fazer crescer mais conexões sinápticas. Não apenas em situações reais que requerem de nós o acolhimento e  organização de respostas vivas, podemos, e devemos, praticar essa operação na clínica e como um exercício de si.<br />
“Se usarmos o esforço voluntário, necessariamente estaremos criando uma cadeia comportamental, isto é, uma acumulação de massa crítica de axônios fazendo que se produza uma memória anatômica”.<br />
“Com esta prática, aprendemos a diferenciar e maturar nossa corporificação herdada da espécie através do fortalecimento e da formação de conexões sinápticas. Isso intensifica e vivifica a experiência do si mesmo.”<br />
“Repetir ações voluntariamente, como trechos de comportamentos anatômicos é a fase inicial da formação de novas conexões neurais através do fortalecimento de um continuo feedback de contato intra-organísmico com diferentes intensidades e amplitudes.”<br />
Para Keleman essa é a fonte primária da organização da experiência como forma somática. Afirma que “o esforço voluntário cortical-muscular estimula o crescimento de axônios e esses axônios vão formar uma estrutura conectiva, as sinapses, conectando a parede do corpo ao córtex.” Assim cérebro e músculos trabalham juntos.<br />
“Na medida em que retemos, por momentos, voluntariamente, uma forma, uma expressão do nosso fluxo comportamental de ações e reações aos acontecimentos, internos e externos, fazemos um recorte muscular distinto, um engrossamento ou afinamento da parede do corpo, com seu pulso excitatório único e, consequentemente, com sua expressão única, sua conexão única com o ambiente, sua única experiência”.<br />
Esse é o primeiro dos 5 passos da sua Prática de Corpar (Bodying Practice) que acompanha sua visão formativa do crescimento de cada corpo em particular ao longo de uma vida, através da qual gerenciamos e praticamos o voluntário sobre o involuntário, na operação de produção de diferenças sobre as formas recebidas, seja da evolução, seja da maturação somática, seja das identificações sociais, seja dos reflexos de defesa às intensidades intoleráveis, seja das emoções, seja dos modos de conexão. Com a Prática de Corpar, vamos reconhecer a forma somática presente de um comportamento e organizá-la muscularmente, operar micro-movimentos sobre ela e receber a brotação dos efeitos morfogênicos dessas ações sobre si, metamorfose em ato. A partir dessa auto-identificação com a forma somática presente, se a consideramos expressão e linguagem do vivo, estabelecemos uma experiência imediata de si sobre si mesmo, uma certeza imediata da presença ao acontecimento, uma verdadeira epistemologia do corpo. Estaremos selecionando no fluxo comportamental uma forma que é digitalizável na linguagem do pulso vivo das forças biológicas configuradas por aquele estado de forma, implicadas nesse ato singular de presença, captável pelo próprio sistema nervoso, sub-cortical e cortical, e, acrescentamos, que pode ser envelopada pelas palavras, as palavras do mar de palavras onde nascemos e vivemos, sendo também moldada por elas. Esse é o seu “plus” em relação a qualquer outro autor neste tipo de busca.</p>
<p>Em 1985, diz em sua linguagem absolutamente anatômica: “Quando alguém usa o esforço cortical muscular voluntário para fazer distinções na sua forma somática, está reorganizando a estrutura, fazendo mais camadas internas e mais conexões internas. Quando os padrões motéis dos comportamentos que emergem como respostas involuntárias ganham estabilidade e duração, o organismo experimenta alguma coisa nova tomando forma dentro de si”.<br />
Para Keleman, “estar corporalmente presente é a tarefa mais urgente do soma”. Afirma, com isso, que encaramos todo o tempo problemas formativos e tentamos encontrar uma solução, isto é, organizar uma formatação do self que seja funcionalmente única, nossa como resposta aos acontecimentos. E isso requer esforço volitivo sobre o soma.<br />
O córtex influencia as respostas corporais. Através deste processo, cérebro e corpo formam um sujeito-objeto, uma relação subjetiva-objetiva. O cérebro e o corpo tecem um self pessoal a partir do corpo herdado, um corpo que não existia antes. “As consequências disso são imensas, uma vez que tornam o corpo e seu comportamento uma entidade pessoal.”<br />
Keleman usa as idéias de reentrada neural do conhecido neurocientista Gerald Edelman para descrever esse processo como aquele em que o cérebro mapeia as ações do corpo e então faz cotas neurais nesses mapas. Então os mapas conversam entre si e compartilham informação. Este é o modo que, para ele, o cérebro estabiliza ações musculares.<br />
E Keleman, alargando suas próprias idéias, diz que “quando há um novo comportamento, um novo padrão de ação, o cérebro tem que fazer muitos novos mapas neurais.” Assim, na Prática de Corpar, ele usa esse processo neural de reentrada inato para recombinar comportamentos e estabilizá-los.<br />
O portencial morfogenético, ou a metamorfose, para Keleman não um ato de fé ou poético, mas uma compreensão com um manejo pragmático da vida tal como se configura na anatomia vivida por cada corpo.<br />
Podemos roubar-lhe essa formulação maravilhosa e colocá-la a serviço da tessitura coletiva de redes de todo tipo. Keleman não chega nem quer chegar a essas consequências por não considerar, a partir de sua concepção de política, o tecido social tal como fazem Deleuze, Guattari, Toni Negri e outros que pensam esse oceano planetário de um modo imanente e radical.</p>
<h3>Toni Negri: nós, a multidão</h3>
<p>Edição de “Em direção a uma definição ontológica de multidão”, de 2002, com o qual me misturo.</p>
<p>Toni Negri faz afirmações preciosas que permitem que nos orientemos na nova paisagem social e das quais nos utilizamos aqui para operar essa ampliação do pensamento formativo de Keleman.<br />
“Pessoa é uma idéia moderna e multidão uma ideia pós-moderna”<br />
“Multidão é um todo de singularidades.”<br />
“O pensamento da modernidade opera de dois lados: por um lado abstrai a multiplicidade de singularidades e unifica no conceito de povo, por outro lado, dissolve o todo das singularidades que formam o todo da multidão numa massa de indivíduos.”<br />
“A multidão é sempre produtiva e sempre em movimento, se constitui e constitui a sociedade produtiva, cooperação social geral para a produção.”<br />
“No conceito de multidão, a noção de exploração será definida como exploração e boicote da cooperação entre singularidades, não apenas entre indivíduos, mas, sobretudo, na exploração das redes que compõem o todo, atacando e moldando a sua conectividade.”<br />
“A multidão é um conceito de potência que produz por cooperação. Esse poder não apenas deseja expandir, mas acima de tudo deseja tomar corpo.”<br />
“A multidão é um agente social ativo, uma multiplicidade que age, não uma unidade como o povo que vemos como algo organizado. É de fato um agente ativo de auto-organização.”<br />
“Evidencia-se o trabalho cooperativo vivo como uma revolução real, ontológica, produtiva e política, que pôs de cabeça para baixo todos os parâmetros de “bom governo” e destruiu a idéia moderna de uma comunidade que serviria para a acumulação capitalística, agora são apenas interconexões processuais para ações criativas”<br />
“Os dispositivos para produção da subjetividade que encontram na multidão uma figura comum apresentam-se como uma práxis coletiva, sempre atividade renovada e constitutiva de ser.”<br />
“Quando consideramos corpos, não apenas percebemos que estamos cara a cara com a multidão de corpos, mas percebemos que cada corpo é uma multidão, interceptando a multidão, cruzando a multidão com a multidão, corpos se tornando misturados, híbridos, transformados, mestiços como ondas do mar, em perene movimento e transformação recíproca.”<br />
“A metafísica da individualidade ou da pessoa constitui uma mistificação da multidão de corpos. Não há possibilidade de um corpo estar sozinho. Isso não pode nem ser imaginado. Quando um homem é definido como um indivíduo, é considerado como uma fonte autônoma de direito e propriedade. Mas o si não existe fora de uma relação com o outro.”<br />
Vale a famosa afirmação de Spinoza “Nunca poderemos saber aquilo de que um corpo é capaz”. Então multidão é o nome da multidão de corpos. Lidamos com esta definição quando enxergamos que multidão é potência. Entretanto, o corpo como processo corpante (bodying process) da realidade deve andar junto com a compreensão do processo de constituição de multidão. Devemos, portanto, reconsiderar esta discussão do ponto de vista do corpo, da constituição do corpo. Com Negri, devemos sempre ter em mente que a multidão é um todo de singularidades traduzíveis em termos de corpo. Do ponto de vista do corpo existe apenas relação e processo. O corpo é trabalho vivo, portanto, expressão e cooperação, portanto construção material de mundo e história.<br />
Multidão é potência, genealogia e tendência, crise e transformação, portanto sempre levando à metamorfose dos corpos. A multidão é a multidão dos corpos. Ela expressa poder não apenas como um todo, mas também como singularidade. Isso aponta para a necessidade de aprender o como do moldar-se a si mesmo, sempre em novos modos de funcionar em conexões e ressonâncias presentes. A multidão honra a qualidade auto do vivo, sempre em direção a realidades que ainda não existem.</p>
<h3>Na multidão, à revelia de Keleman</h3>
<p>Remeter-se à biologia tal como é compreendida hoje nos ajuda a perceber que a organização do vivo é molecular e em contínua auto-produção e conexão, exatamente como a multidão. E é com esse sentimento de oh! que devemos nos aproximar dessa visão, não com um olhar cientificista.<br />
Através de Keleman, realizamos que há um oceano protoplasmático formativo, uma multidão molecular, canalizada por esse corpo feito de tubos dentro de tubos descrito na Anatomia Emocional, a partir do qual processos corporais individuantes se formam a si mesmos, gerando membranas particulares temporárias de si mesmos a partir de um constante diálogo entre o corpo e seu cérebro como materialização do vivido.<br />
Esta visão de uma realidade oceânica pode ser estendida à realidade contemporânea ao ser considerada, tal como se tornou visível hoje, como campo comum planetário de corpos e modos de moldá-los em suas conexões com outros corpos em processos sociais. Cada corpo é uma multidão sempre canalizando e processando ambiente, sempre em relação a outros corpos. A ideia de singularidades está aí. E de metamorfose também.<br />
A visão formativa de Keleman de corpos e seus mundos é tão similar e tão diferente ao mesmo tempo da concepção imanente.<br />
Na floresta negra de seu mundo, o homem formativo cultiva seu corpo, seu mito e sua intuição poderosa com as forças autopoiéticas, dentro do trabalho, da criação, da família, dos amigos próximos, brilhando intenso longe da contaminação do mundo, ao mesmo tempo em que o influencia.<br />
Essa concepção personológica resulta de fortes raízes heiddegerianas e democráticas. Como transpor, aplicar essa visão de sujeito somático em constante produção para um romance que não seja apenas familiar ou mesmo democrático, mais seja, sobretudo, histórico-mundial em rede, tal como se apresenta hoje? São outros problemas a serem formulados,  outras estratégias, e, sobretudo, outras lutas a serem travadas.</p>
<h3>O reflexo da imitação e o reflexo do susto: onde a porca torce o rabo.</h3>
<p>No reflexo de imitação, o corpo contrai e expande instantaneamente face a qualquer objeto, situação, qualidade, qualquer coisa, como efeito da atenção, imitando-o para saber em si mesmo o que é aquilo. Isso é a percepção do não-self e ao mesmo tempo uma espécie de fagocitação de formas. Através da repetição dos padrões motores dessa forma, ela pode vir se tornar nossa.<br />
O reflexo do susto, por sua vez, é uma resposta organísmica para lidar com situações de emergência ou de ameaça ou de desafio de fora ou de dentro do organismo. É um processo complexo que começa com respostas reflexas simples a intensidades excessivas e envolve uma predisposição em direção a formas mais complexas dependendo do tempo, da fonte, da duração e da intensidade do desconhecido.<br />
Esta resposta destina-se a ser temporária. Quando o perigo passa, o organismo volta ao normal. Entretanto, esta mesma resposta pode se tornar um estado habitual de tal modo que sua organização permanece à medida que nos movemos de um evento para o outro. Torna-se um padrão somático contínuo.<br />
Padrões somáticos, sejam disfuncionais ou funcionais, são processos de auto-percepção, um modo de sentir, agir, estar e conhecer o mundo. Eles afetam todos os tecidos, músculos, órgãos e células, bem como pensamentos e sentimentos. Eles são mais do que mecânicos, eles são uma forma de inteligência, um contínuo de auto-regulação.<br />
Diz Keleman, em 2007, “Os padrões são um fenômeno das camadas e tubos da arquitetura somática e afetam o organismo como um todo. Eles são intrínsecos e envolvem estados musculares da ponta dos pés ao alto da cabeça. Músculos e órgãos não estão apenas contraídos ou afrouxados, eles estão organizados em uma configuração comportamental que é sempre conectiva com os ambientes e corpos.”</p>
<h3>O empobrecimento da biodiversidade subjetiva: nosso alvo.</h3>
<p>As visões formativas de Keleman nos apresentam um modelo do soma que, acopladas a uma visão ecosófica, pode ser visto como um lugar, um lugar vivo, uma arquitetura evolutiva viva nos sistemas da biosfera e nos redes humanas.<br />
Mas esse organismo, o nosso, tem a possibilidade muito mais rica do que qualquer outro organismo vivo, de contínua autoconstrução com elementos moleculares daquilo que é trocado com os ambientes, sejam eles elementos físicos, sentidos, comportamentos ou imagens.<br />
Hoje, os reflexos do susto e da imitação se espalham globalmente, de uma maneira nunca vista, como um vírus, através das redes de comunicação, sobretudo de imagens, sejam notícias ou modelos de comportamento, que agora nos envolvem a todos.<br />
Cada camada do soma requer tempo formativo e ambientes confiáveis para formar a si mesmo no devir e operar sobre a criação de diferenciações que nos conectam funcionalmente com os ambientes da rede global, próximos ou distantes, dos quais hoje somos parte, tanto localmente como de uma maneira geral. É justamente sobre esses tempos formativos e ambientes confiáveis que as estratégias capitalísticas incidem com seus efeitos malignos.<br />
As formas embriogenéticas, as formas constitucionais, as formas do desenvolvimento, as formas de autoproteção, de ataque, de emoções, matrizes de gestos e ações, tudo emerge da profundidade do oceano formativo em cada organismo e dispara no momento certo a partir da sabedoria ancestral do soma. Essas formas, entretanto, já emergem num mundo global, pós-moderno, capitalista, regulado pelo interjogo de poderes e valores que as capturam e canalizam para dentro de redes de sentido imediatamente, moldando-as e modelando-as somaticamente, não apenas de um modo incorporal.<br />
Cada nova forma biológica que emerge a cada momento, na continuidade de cada corpo humano é imediatamente ameaçada por forças de exclusão e imediatamente encontra à sua disposição formas e modos de funcionamento pré-fabricados, testados pela seleção do mercado, manipulados por pesquisas de opinião e suportados por tecnologias criadas pelas mentes mais brilhantes.<br />
Essas formas moldantes todas estão em volta de nós, preenchendo todo o espaço da nossa percepção, oferecendo-se para produzir em nós a ilusão de inclusão neste mundo. São formas que não apenas modelam nossa forma somática e existencial, mas nosso desejo de futuro e nossas conexões.<br />
Elas são as “fast forms”, como o “fast food”, enganadoras para nossa fome de viver, elementos para serem usados na construção de novos modos de existir, que somos forçados a agregar diante da desagregação súbita e contínua de modos de ser e de existir, efeito de fragmentação do reflexo do susto sobre nós como resposta biológica à velocidade excessiva e à ameaça vertiginosa de exclusão gerada pelo capitalismo global. O ambiente global como vemos não oferece tempos formativos nem ambientes confiáveis, atacando continuamente a agregação e conectividade nos corpos.<br />
Essas ameaças são intensificadas por imagens continuamente bombardeadas pela indústria de comunicação de massa, imagens de inclusão, prestígio, segurança e felicidade lado a lado com imagens de exclusão, privação, violência, perda de propriedade e existência social, para não mencionar a perda da vida, que constantemente nos aterroriza. Por um lado o reflexo do susto, por outro o reflexo da imitação, são continuamente disparados. O tempo instantâneo do mundo global não nos dá tempo de formar vidas que sejam resultantes do processamento na usina organísmica de uma vida em particular,  e nos catapulta em direção às soluções fáceis oferecidas pelas “fast forms”. Elas todas estão à venda. São objetos e serviços de todo tipo que, na verdade, são bordas subjetivas, modos de morar, vestir, relacionar, pensar, imaginar, amar, desejar, funcionar, produzir, gerar histórias de vida. Elas nos configuram e nos conectam a processos maiores. Estes modelos de existência têm a característica de serem facilmente assimiláveis. Elas, aparentemente nos poupam esforço, tempo e angústia de compor nossos próprios menus de ser e viver no mundo a partir da digestão necessária dos acontecimentos. E vêm junto com uma operação poderosa de marketing a qual nos faz acreditar que consumi-las e nos identificar com elas é essencial para configurar nosso território que continuamente se desmancha na velocidade da informação e dos novos acontecimentos. Esse é, aparentemente, o único modo de pertencer à rede planetária e evitar o risco físico ou social de morte, dada à desconexão com os processos de continuidade da vida.<br />
Sob o terror, é ativado o reflexo de imitação.<br />
O alto nível de atenção mobilizado pelas técnicas de comunicação alimenta o nosso potencial de identificação com as fast forms, as quais, por sua vez, alimentam o funcionamento dessa máquina modeladora de sentidos nos corpos, o que se tornou uma das principais forças na circulação de valores do capitalismo contemporâneo.<br />
Essas “fast forms”, paradoxalmente, têm a característica de confirmar a nossa falta de auto-referência e o nosso desamparo, nos tornando dependentes do seu consumo compulsivo sempre em busca do alívio anunciado em relação à nossa constante angústia de existir.<br />
A menos que nós possamos reverter a situação.</p>
<h3>O pensamento e o método formativo a serviço de uma micropolítica</h3>
<p>Mas para produzir uma operação realmente individuante, necessitamos rever nossos conceitos sobre corpo, de como o processo de produção de corpo acontece, contemplar através de que interjogo de forças biológicas e sociais um corpo modela o seu próprio processo formativo e aplicar pragmaticamente esse conhecimento em nossas vidas.<br />
Há mais de dez anos, Keleman me escreveu uma nota pessoal que agora edito: “o processo vivo tem total investimento na continuação da corporificação mesmo. Por esta razão, ele está em constante diálogo consigo mesmo e este diálogo é sempre sobre o que fazer a respeito da sua situação imediata. O corpo fala através de sensações, sentimentos, motilidades. Entretanto, ele necessita falar de volta consigo mesmo de tal modo que ele possa influenciar o seu comportamento. Assim, o corpo tem o poder de influenciar a si mesmo, moldando a si mesmo em ações, inibindo a si mesmo ou agindo em relação a si mesmo. Ele faz isso através de um elegante sistema de feedback a que chamamos cérebro. O corpo organiza a si mesmo para falar consigo mesmo, secretando para si mesmo esse órgão que é capaz de receber de volta seus padrões de ação e falar consigo mesmo a respeito deles. Isso significa que há sempre uma relação do corpo com ele mesmo, mediada pelo cérebro.<br />
Esta relação ocorre do mesmo modo como o corpo regula seu próprio metabolismo, seus movimentos e motilidades, o modo pelo qual ele altera e regula as formas de suas expressões. Isso revela que o assunto principal do corpo não é apenas sobreviver, mas sobreviver através de uma relação consigo mesmo”.<br />
(Keleman, 1996, e-mail pessoal)<br />
Evidentemente, a vida e a evolução não nos deram esta herança maravilhosa porque nós somos especiais individualmente, mas porque esta herança nos permite aumentar a força e a diversidade dessa mesma herança &#8211; em nós e no pool da vida. Entretanto, já sabemos que o capitalismo contemporâneo e a violência inerente ao seu funcionamento agem contra isso, tentando constantemente capturar este poder da vida e torná-lo consumidor de imagens, das fast forms, perversamente exercendo a ameaça de exclusão com sua dinâmica concentracionsta, atacando nossas reais conexões com o que compõe com nosso processo formativo, levando à eliminação das diferenças, conduzindo à homogeneização e consequentemente ao enfraquecimento do pool das subjetividades.</p>
<h3>Um combinado: a prática cartográfica e a prática do corpar</h3>
<p>Cartografar essas paisagens sociais mutantes, das quais nós somos parte, tanto global quanto localmente, de acordo com os ensinamentos de Guattari, significa descrevê-las em detalhe, acompanhar suas mutações e velocidade de fluxos que as cortam e reconhecer as genealogias do corpar, em cada ecologia, detectando,no caso, as espécies de “fast forms” que infectam esses ambientes, enfraquecendo sua potência formativa. E, então, descobrir possibilidades e estratégias para trabalharmos sobre elas.<br />
Com a “prática de corpar”, o grande segredo da evolução escondido dentro de nós para proteger a vida contra o roubo daquilo que nos permite continuar produzindo diversidade se revela. A atitude nessa prática é meditativa e, ao mesmo tempo, ativa sobre si.<br />
Aplicando-a às “fast forms”, podemos identificar as configurações que nos capturaram(1º passo), reconhecer sua anatomia, seus limites, suas forças e tendências(passo 2). Utilizar então os micromovimentos sobre as superfícies somáticas da forma, para então intensificá-las e desintensificá-las, através de micromovimentos sobre as bordas da forma, em pequenos incrementos (passo 3). Aí, descansamos. Como resposta, emergirão da profundeza formativa do organismo, como um sonho organísmico, esboços de um novo contorno subjetivo.<br />
A seguir, repetiremos muitas vezes essa operação. Tentaremos solidificar e encarnar essa nova forma através da definição das paredes corporais e suas subpartes. Ao ativarmos essa operação formativa, estaremos tratando ao mesmo tempo da despotencialização gerada pelo o reflexo do susto que deu lugar para que as “fast forms” nos parasitassem e regenerando o reflexo da imitação para que preencha sua função originária no reconhecimento dos ambientes.<br />
Vemos como, através dos mencionados micromovimentos das superfícies identificadas e configuradas muscularmente, seremos surpreendidos por novas formas mais atuais, conectivas e eficazes como recombinações e mutações recicladas e revitalizadas de moléculas das “fast forms” (passo 4). Finalmente, trataremos de estabilizar as diferenciações e testar sua funcionalidade em novas paisagens de sentidos e conexões (passo 5), estabilizando-as muscularmente e conectando-as ao fluxos do presente.</p>
<p>Uma clínica e uma educação que lidam com a subjetividade somática, hoje, têm que ser compreendidas como uma micropolítica, um modo de sustentar territórios de criação de corpos singulares, zonas dentro das grandes redes, resistentes à aceleração e sedução da sociedade do espetáculo, que, ao contrário do movimento geral, constituem a si mesmas em zonas de lentificação no tecido social.</p>
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		<title>Um agenciamento conceitual para honrar e estimular a biodiversidade subjetiva</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 02:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
		<category><![CDATA[regina favre]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo de Regina Favre sobre a complexa trama de conhecimentos que embasa criação, transmissão e práticas no Laboratório do Processo Formativo. Artigo publicado na Revista Reichiana do Sedes Sapientiae.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="000025 by Lucia Freitas, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/lufreitas/3191434265/"><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3469/3191434265_08c7144119.jpg" alt="000025" width="500" height="319" /></a></p>
<p>Regina Favre, Laboratório do Processo Formativo, São Paulo (julho/2007 )</p>
<p>Conceitos e práticas são parte da história cultural. Acredito que os saberes corporais e práticas, tais como nós os concebemos hoje estão enraizados na Europa, em meados do século XIX, como um subproduto da sociedade industrial.</p>
<p>A mudança da produção artesanal para a produção industrial remodelou completamente as tradições culturais e artísticas, as concepções sobre forma e linguagem, valores, aparência das cidades, ruas, casas, seus interiores, exigindo das pessoas um novo uso de seus corpos para produzir e incorporar todas estas realidades.</p>
<p>A pressão vinda do aumento de excitação, de problemas e benefícios produzidos pela sociedade industrial imediatamente sacudiram os usos do corpo tais como eram previamente conhecidos. Ao mesmo tempo, entre outras transformações filosóficas e científicas, Darwin com sua teoria evolutiva, que promoveu a maior revolução na auto-imagem do homem desde o início da história, retirou o criador de uma vez por todas da cena e apresentou os homens à sua animalidade e capacidade adaptativa, permitindo a cada pessoa ver em seus corpos a continuidade dos corpos de seus parentes animais.<br />
É muito importante considerar a presença de Darwin nas elaborações de Freud.</p>
<p>Com Darwin o corpo pela primeira vez se tornou real e acessível como comportamento – o broto de uma nova concepção de corpo como parte de realidades físicas, sociais e afetivas: como forma evolutiva e funcional, comportamento solidificado enquanto espécie, moldando-se de maneira individual e histórico-social, corpo como presença, conceitos que florescem plenamente sob a pressão dos tempos globais.</p>
<p>É aí que pretendo chegar: a uma cartografia clara, situada historicamente, apoiada na ciência, ampliada politicamente, metodologicamente operativa, <a title="Anatomia Emocional de Stanley Keleman" href="http://books.google.com.br/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;lpg=PA55&amp;ots=kdHw_2Gk1N&amp;dq=%22Keleman%22%20%22Anatomia%20emocional%22%20&amp;lr=&amp;pg=PP1#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">a partir da visão formativa de Stanley Keleman</a>.</p>
<p>Com todas essas transformações – poderes, sentidos, tecnologias, velocidade e novos modos de produção e distribuição de dinheiro, novas noções e práticas dizendo respeito a auto-regulação e autonomia dos corpos estavam prontas para aparecer e mesmo urgiam ser formuladas como um antídoto dos primeiros sinais de estresse na vida moderna.</p>
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		<title>For English Readers</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 03:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
		<category><![CDATA[regina favre]]></category>

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		<description><![CDATA[We gathered our texts in English here, so you can understand our work clearly]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/bs2_encontro2_31julho-263.jpg" rel="shadowbox[sbpost-510];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1449" title="bs2_encontro2_31julho 263" src="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/bs2_encontro2_31julho-263.jpg" alt="" width="690" height="767" /></a></p>
<p>Three important articles that define Regina Favre’s work at the Formative Process Laboratory are now available here for our English visitors.</p>
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		<title>Um diálogo sobre a Biodiversidade Subjetiva</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 20:13:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[prática]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
		<category><![CDATA[regina favre]]></category>

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		<description><![CDATA[Em palestra na Sociedade Brasileira de Bioenergética, em São Paulo, Regina Favre apresenta sua trajetória e o conceito de biodiversidade subjetiva, eixo de sua prática clínica e de seu trabalho atual no Laboratório do Processo Formativo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="aligncenter" title="Regina Favre na Sobab, por Lucia Freitas" src="http://farm3.static.flickr.com/2421/3578246758_3bfc8f3e42_d.jpg" alt="" width="375" height="500" />Palestra na Sociedade Brasileira de Análise Bioenergética</strong></p>
<p>Regina Favre apresenta sua trajetória e o conceito de biodiversidade subjetiva, eixo de sua prática clínica e de seu trabalho atual no Laboratório do Processo Formativo, em São Paulo. A partir de 2001, em sucessivos seminários teórico-vivenciais, o pensamento e o método da Anatomia Emocional, do americano Stanley Keleman, foi sendo amplificado.<br />
“Depois de 15 anos de estudos, confrontei a posição apolítica de Keleman e comecei a formular o conceito de biodiversidade subjetiva, que considera o nosso funcionamento em rede. Segundo a visão formativa kelemaniana formamos corpos e vidas, a partir do herdado e do vivido. Mas, penso que hoje vivemos em uma realidade global e necessitamos de uma visão que considere as diferentes ecologias físicas, afetivas, cognitivas e sociais, das quais somos parte e produtores. Mais que indivíduos, somos canais em torno dos quais se tecem sujeitos corporais continuamente. Nessa perspectiva, a biodiversidade não diz respeito apenas à natureza, mas às respostas, linguagens, formas de comportamento e aos ambientes que somos capazes de gerar. Isso não tem nada a ver com o individualismo. Temos a capacidade de produzir diferença no inato e nos modos sociais de constituir sujeito. Esse é o trabalho com a  biodiversidade subjetiva, sempre apoiado nos princípios formativos da Anatomia Emocional.” define Regina Favre.</p>
<p>Para afastar-se compreensão kelemaniana moderna de individuo, Regina aproxima-se do filósofo italiano Toni Negri. Hoje somos multidão, multidão de corpos, com a imensa potência de trabalho vivo, cooperação, expressão e, portanto, construção material de mundo e história. Se no passado era o povo que estava na base da sociedade industrial e a luta era contra o poder disciplinar, atualmente, a luta é pela conexão e cooperação entre corpos na criação do que ainda não existe.</p>
<p>Não basta desejar cooperar. Cooperação é o efeito da maturação dos modos de conexão. Essa maturação pode ser propiciada pelos recursos do método formativo e da visão clinica e filosófica da biodiversidade subjetiva. Essa visão original que cruza tantas áreas do conhecimento – filosofia, história social, política, neurociências, educação somática, anatomia evolutiva – é capaz de provocar diálogos instigantes. Como este a seguir, durante uma palestra. Acompanhe:</p>
<h4><strong>Clínica e micropolíticas</strong></h4>
<p><strong>Platéia</strong> – Na clínica, fazemos o atendimento individual e fiquei pensando que isso é pouco, que estamos muito longe de atingir essa rede&#8230; (comentário de uma psicoterapeuta).</p>
<p><strong>Regina Favre</strong> – É na clínica mesmo que pode acontecer essa maturação dos corpos em direção à necessidade do contemporâneo. O trabalho é pequeno mesmo. Não se trata de promover a grandiosidade da revolução, mas sim, as micropolíticas: cada macaco no seu galho fazendo seu serviço bem feito. Nossa questão não é mais com a repressão, como era na sociedade industrial, capitalista e patriarcal. Hoje, estamos imersos em jogos de força, com tremenda concentração de poder. Dentro da sociedade de consumo, do capitalismo pós-moderno, vivemos a captura do desejo. Atualmente, o poder boicota a cooperação entre os corpos. Não é mais uma questão de autoridade. O grande trabalho hoje é das conexões dentro da multidão, de modo a permitir essa interconexão, para além de classe social ou hierarquia. É a conexão entre os corpos que pode produzir o futuro.</p>
<h4><strong>Capitalismo, apavoramento e ilusão</strong></h4>
<p><strong>Platéia</strong> – O que impede a conexão dos corpos?<br />
<strong>Regina</strong> – Vivemos completamente rodeados de modos e formas a serem adquiridas, consumidas, que nos oferecem contornos subjetivos prontos, com os quais tentamos nos estabilizar na velocidade dos nossos dias. O mundo é totalmente “midiatizado”. O tempo todo estamos expostos a informação e notícias que assustam tremendamente as pessoas. O que acontece nos corpos no estado de apavoramento? Somos tomados pelo reflexo do susto. Essa resposta em bloco imobiliza. Aquilo que é mostrado no noticiário fala de situações de exclusão – doença, crise, envelhecimento, violência, miséria. Ao mesmo tempo, essa mesma mídia pós-moderna anuncia produtos e mais produtos, que não são apenas coisas, são estilos de vida, contornos existências vendáveis que prometem inclusão. No mesmo instante que compra-se o produto, que supostamente aplacaria essa angústia, a desagregação de si prossegue e a corrida assim torna-se infinita, alimentando o capitalismo. Nesse jogo de forças, as pessoas são mobilizadas a sempre reconfigurar a ilusão. Os vínculos criados a partir dessa “modelização existencial” não funcionam e bloqueiam, reafirmando o desejo sempre de modo individualista. Essa conexão só pode ser restabelecida quando é possível uma maturação dos modos vinculares, que vem da real maturação do modo de funcionamento afetivo dos corpos. Isso permite a produção da diferença e, portanto, da biodiversidade subjetiva.<br />
<strong>Platéia</strong> – Esta é uma visão otimista&#8230; poder se movimentar nesse mundo&#8230; Isso dá um alívio&#8230;<br />
<strong>Regina</strong> – Sim, esse trabalho e o conceito de biodiversidade subjetiva é otimista e se contrapõe ao medo gerado pelas imagens a que somos expostos incessantemente.</p>
<h4><strong>Co-corpar</strong></h4>
<p><strong>Platéia</strong> &#8211; Queria saber sobre o co-corpar a que você se referiu&#8230;<br />
<strong>Regina</strong> – Hoje, não podemos mais pensar que no mundo contemporâneo a narrativa seja apenas  familiar. A narrativa atual é histórico mundial. É necessário navegar por essas redes de relações, sem perder de vista que os corpos se conectam, do mesmo  modo que as formas vivas mais simples são conectivas. O corpo é modo de funcionar, na evolução, no crescimento, nas ligações que se estabelecem o tempo todo entre corpos que pensam, sonham, agem, sentem, formam. Na clínica é fundamental cultivar a tolerância somática à diferença, criar um corpo com organização somática tal, com tal diferenciação, que possa tolerar e, mais que isso, conectar-se com as diferenças. Nessa prática, nós produzimos algo, você e eu, por que eu co-corpo com você.</p>
<p style="text-align: right;">Reportagem e edição: Liliane Oraggio</p>
<p style="text-align: right;">Foto: Lucia Freitas</p>
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		<title>Pesquisando Grupo de Movimento em pacientes psicóticos</title>
		<link>http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2008/10/pesquisando-grupo-de-movimento-em-pacientes-psicoticos/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 06:01:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[grupo movimento]]></category>

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		<description><![CDATA[Regina Favre descreve os dez encontros de um Grupo de Movimento com psicóticos. O GM é uma conversa extremamente concreta sobre como as pessoas parecem o que realmente estão sendo e sentindo, como mostram o que são e sentem, embora não o saibam muitas vezes. Denise Passos colaborou no projeto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4>Pesquisando a aplicabilidade  do Método do Grupo de Movimento Somático Existencial a um pequeno grupo de pacientes psicóticosdo Hospital Dia da Faculdade Paulista de Medicina.</h4>
<p><em><strong>Regina Favre<br />
Denise Passos (colaboração)</strong></em></p>
<p><strong>1.Contextualizando:</strong></p>
<p>A Educação Somática Existencial é uma articulação da Psicologia Formativa de Stanley Keleman, com elementos da Esquizoanálise de Deleuze e Guattari, com contribuições da Neurociência, de autores como Gerald Edelman, e elementos da visão de desenvolvimento e vínculo de autores como Daniel Stern e John Bowlby.<br />
Essas ferramentas, cuidadosa e continuamente forjadas, vêm nos permitindo ser coerentes com uma visão da realidade enquanto produção e não como um dado, o que faz toda a diferença.<br />
Com a ajuda de nossos autores, podemos visualizar um  processo biológico e social ocorrendo o tempo todo dentro de nós e fora de nós, os seres humanos como um processo formativo vivo, a existência como um continuum de formas somáticas no devir, os modos de subjetivação como continuamente sendo produzidos no coletivo segundo jogos de força e a subjetividade como emergindo na interação dinâmica entre essas formas e sua pessoalização.<br />
Essa visão formativa , juntamente com a compreensão das distorções das formas somáticas e vinculares instrumentalizada pelo método kelemaniano do corpar e o método esquizoanalítico do cartografar, nos permite trabalhar sobre o sofrimento e as fragilidades que afetam a potência formativa em nós, em nossos alunos, clientes, bem como nos grupos e nas instituições com que trabalhamos.<br />
A visão formativa também nos permite conceber o campo teórico e metodológico como em formação, nos oferece um modo de assimilar autores e influencias, nos facilitando ações interdisciplinares.<br />
O Grupo de Movimento é a prática através da qual aprendemos a nos identificar  com as forças somáticas que nos constituem como sujeito: pode ser usado como uma prática em si mesma ou como complemento dos processos de psicoterapia.<br />
Venho pesquisando e aprofundando essa prática, tradicional dentro das terapias corporais, desde o início de minha prática clínica.<br />
Hoje, esse modo de operar e pensar, tal como o venho trabalhando, possui especificidade e coerência teórica- metodológica e pode ser chamado Grupo de Movimento Somático Existencial.</p>
<p><strong>2.Grupo de Movimento Somático Existencial: algumas afirmações que norteiam a condução do trabalho.</strong><br />
Um corpo em particular é um contínuum que vai da evolução da vida na biosfera aos seus processos embriogenéticos próprios, à continua corporificação de sua experiência dos acontecimentos no mundo, mais a maturação pré-programada do corpo animal ao longo de uma vida.A evolução construiu o vivo como bombas pulsáteis para melhor conter, aumentar e preservar o concerto dos pulsos de células e tecidos &#8211; quanto mais camadas mais eficiente.<br />
Os acontecimentos podem ser de longa ou curta duração. De acordo com sua intensidade e as condições do corpo, estes podem ser da ordem do assimilável ou do excessivo, gerando formas existenciais eficazes ou distorções da bomba pulsátil ,para nossa vida no ambiente.<br />
O corpo, particularmente o humano, se constrói juntamente com a experiência, se valendo das camadas embriogenéticas e não dos órgãos em particular.<br />
Os corpos têm também sua constituição herdada produzida pelos processos seletivos do soma humano: isso nos dá  compleição e temperamento inatos.<br />
A experiência se organiza em camadas somáticas &#8211; continuação ao longo da vida do processo da embriogênese.<br />
Cada forma é um continuum: um trecho de comportamento solidificado.<br />
Cada forma que em si mesma tem uma a amplitude que vai de mais forma para menos forma, também em um continuum.<br />
Formas são solidificações de comportamentos &#8211; herdado e/ou organizado ao longo da vida.<br />
Corpos são ambientes articulados entre si formando ecologias e tendo os modos de vinculação como cola.<br />
Corpos, formas, comportamentos, self(s), modos de sentir, de se relacionar, modos de perceber a si e às coisas são a mesma coisa.<br />
Forma é comunicação, sinalização.<br />
Somos a cada momento muitos corpos, formas, comportamentos organizados em camadas articuladas ou conflitantes.<br />
Os corpos, formas, comportamento são metaestáveis, isto é, possuem sempre uma certa estabilidade, um certo potencial e uma certa  entropia.<br />
Os acontecimentos produzem excitação biológica em nós, portanto os corpos, formas, comportamentos são solidificações de ondas excitatórias.<br />
Acontecimentos são conjunturas de fluxos de todo tipo: físicos, biológico, históricos, econômicos, familiares, de classe, da mídia, dos poderes, do mercado, de grupos, da tecnologia, da moda, etc.etc.<br />
Geramos corpo continuamente. E no mesmo ato de gerar corpo, geramos ambiente , não existe um sem o outro.<br />
Os corpos e seus territórios existenciais são processos vivos.<br />
É central, na concepção formativa de Keleman, não atribuir ao corpo o sentido de objeto da consciência.<br />
Keleman afirma diretamente que o que chamamos corpo é um processo ,uma corrente contínua de eventos, sem saltos nem elos perdidos, que se estende como  forma corporificada por pelo menos 3.8 bilhões de anos dos aproximadamente 5 bilhões do nosso planeta. E que essa corrente contínua de produção de corpos e territórios existenciais prossegue diariamente em nossas vidas.<br />
Nesse processo de corporificação, diz Keleman, o assunto principal é levar adiante as formas que estamos destinados a viver enquanto animal humano -criança, púbere, adulto, adulto maduro, envelhecente, velho, parte da nossa herança genética. O que Keleman está querendo dizer, com isso, é que somos todos participantes da continuidade desse processo mórfico de existencialização corporal, onde o processo seletivo da evolução prossegue no dia a dia de nossa vida, no processo de invenção de futuros. Acúmulos de diferenças atingem seu limite desestabilizando nossa forma atual e nos lançando no inatual. Na continuidade do processo formativo, então, novas intensidades, virtualidades, imagens, sonhos, vão se selecionando a si mesmos até que esboçamos novos comportamentos, formas somáticas que dêem conta da excitação biológica gerada nos encontros com a nossa própria forma e as formas presentes contemporaneamente, e, inversamente, des-solidificamos comportamentos e formas que não mais nos viabilizam no mundo.<br />
Sua segunda afirmação é que o processo vivo tem um investimento total em continuar a corporificar-se. E esse processo corporificante que, por sua vez está continuamente investido em manter a forma da sua herança, está num diálogo constante consigo mesmo.<br />
E esse diálogo é sempre a respeito da minha situação imediata em relação às minhas diferentes ecologias &#8211; físicas, afetivas e incorporais.<br />
Diz ele, se pensarmos o corpo falando através de acontecimentos não verbais, não simbólicos, que são sensações, sentimentos, motilidades, veremos que ele precisa falar de volta consigo mesmo de tal modo que possa influir em seu comportamento. Então o corpo, diz Keleman, influencia a si mesmo moldando-se a si mesmo em ações, inibindo-se a si mesmo ou agindo em relação a si mesmo. Isso, ele faz através de um elegante sistema de feedback a que chamamos cérebro: o corpo organiza a si mesmo para conversar consigo mesmo secretando para si mesmo um órgão que é capaz de receber de volta seus padrões de ação e conversar consigo mesmo sobre eles. Isso quer dizer que há sempre uma relação do corpo consigo mesmo ocorrendo o tempo todo. Essa relação ocorre como o modo pelo qual o corpo altera e regula a forma de suas expressões.<br />
Isso revela que a preocupação central do corpo não é apenas sobreviver mas sobreviver através de uma relação consigo mesmo de organizar a experiência em formas e comportamentos, sustentando uma instância pessoal neuro-motora de múltiplas linguagens e camadas a que chamamos sujeito</p>
<p><strong>3. Sobre o coordenador do grupo de movimento somático existencial:</strong><br />
-	<strong>exerce</strong> seu olhar para as necessidades formativas dos grupos e seus membros;<br />
-	<strong>enxerga </strong>as tendências e funções das diferentes formas somáticas em construção;<br />
-	<strong>organiza </strong>somaticamente sua própria resposta somática e cognitiva;<br />
-	<strong>transmite </strong>a linguagem somático-emocional através de sua fala e presença somática;<br />
-	<strong>ensina </strong>os participantes a problematizar experiencialmente a função existencial de sua forma corporal;<br />
-	<strong>facilita </strong>a experiência e o manejo  das camadas somático-emocionais com que construimos nossos diferentes corpos nos diferentes mundos de que somos parte;<br />
-	<strong>promove </strong>a sustentação das intensidades emocionais e sua moldagem em diferentes modos de ligação e ação.</p>
<p><strong>4. Sobre o grupo, no Grupo de Movimento:</strong></p>
<p>1. O processo formativo grupal a cada encontro e ao longo dos encontros se dá por contato, inclusão, controle, diferenciação e multiplicação;</p>
<p>2. O grupo matura a cada encontro e ao longo dos encontros ,como o soma humano ao longo do processo maturacional de sua forma, de vazio, para inchado, para denso, para rígido e para  diferenciado, se tudo correr bem;</p>
<p>3.Cada fase de crescimento do grupo e de seus membros necessita de um vínculo formativo para que produza uma forma funcional ao longo do processo formativo: nutrição e abrigo, reconhecimento, prática do menos formado com o mais formado, comunidade e diferenciação;</p>
<p>4. É importante ter em mente que cada forma nova que se concebe, em qualquer fase de crescimento que seja ,passa também por todos esses estágios de consolidação de forma;</p>
<p>5.É importante, também, reconhecer que dentro de seu tipo constitucional, cada membro do grupo busca amor e dá amor de modo específico : amor como busca de vínculo para poder formar a si e a seu ambiente;</p>
<p>6.Há sempre um <strong>presente somático </strong>onde as formas contemporâneas  estão operando,  agonística ou antagonisticamente entre si;</p>
<p>7. Nessa forma estão comportamentos de relações presentes e passadas, organizando a relação com uma determinada situação presente. Essas respostas solidificadas,  constuintes da forma, trazem em si a marca das experiências excessivas ou assimiláveis nas formas através das quais exerce sua potência formativa;</p>
<p>8.O processo formativo é sempre algo maior do que nós – estamos sempre dentro de um processos pré-pessoais e  pós-pessoais: a tendência é sempre que respondamos a partir dos repertórios pré e pós.</p>
<p>9.Nossa liberdade dentro do processo formativo está em aprender a receber de volta nossas respostas, as formas de nossas próprias intensidades e intensidades do mundo, e através da repetição  ser capaz de nos apropriar delas,  regulá-las ou transformá-las, pessoalizando/ estabilizando formas que sejam mais funcionais/mais atualizadas.</p>
<p><strong>5. A influência de Keleman sobre esta concepção de Grupo de Movimento:</strong></p>
<p>Podemos dizer com Keleman, que a pratíca do corpar, inerente ao exercício do Grupo de Movimento,  invoca em nós um campo organizativo, silencioso mas não inativo, relacionado à função natural de expandir e contrair. Esse organizar é sentido no padrão de pulso corporal que nosso cérebro é capaz de influenciar. O exercicio desacelera e digitaliza a sequencia do pulso num padrão de quadro a quadro. Isso intensifica / localiza e , em seguida , redistribui o pulso. Modificar o pulso do soma traz  duração às nossas formas emocionais, organização e  desenvolvimento de uma dimensão interna, um soma pessoal.</p>
<p>O <strong>exercício de corpar</strong> de Keleman presente no Grupo de Movimento tem vários passos:</p>
<p>-	o primeiro é reconhecer como estamos corpados em determinada situação, nossa postura-pose imediata com seus sentimentos/estados mentais<br />
-	o segundo é reconhecer como fazemos isso muscularmente: mantendo nosso organismo definido pelas superfícies musculares tornamos distinta uma forma emocional.<br />
-	no terceiro passo, dispersamos essa forma emocional.<br />
-	 Passo dois e três chamamos de sanfona.<br />
-	conter e dar suporte ao pulso cheio e a seus conteúdos emocionais incuba uma expressão emocional interna &#8211; esse é o quarto passo.<br />
-	expressões únicas emergem desse oceano somático &#8211; quinto passo.</p>
<p>Keleman se refere aos passos como o  mestre interno do corpo.<br />
Considera que a  prática de juntar, pausar, dispersar gera excitação e sentimento que aprofundam a realidade cerebral &#8211; voluntária e involuntária &#8211; a nível emocional, cognitivo e gestual.<br />
Diz que para mobilizar e depois influenciar a emoção, o desejo, a necessidade, o instinto , tornando isso tudo pessoal, é necessário  participar da relação do corpo com ele mesmo.O exercício dos 5 passos desenvolve o  diálogo entre o cérebro cortical e o cérebro emocional sub-cortical. O processo em passos influencia  as frequências e amplitudes do pulso entre corpo e cérebro trazendo para a superfície cortical memórias emocionais corporificadas de comportamentos a serem reorganizados. Isso forma uma dimensão emocional interna que dá sentido ou significância à nossa presença somática.</p>
<p>Keleman recomenda que se conduza o exercicio em slow-motion, quadro por quadro, para que a digitalização dê forma e camadas distintas ao soma. Em ritmo lento, descobre-se o inchar e esvaziar, o para frente e para trás, o entre passado e futuro, expandindo e sustentando o presente. Com a prática de juntar e dispersar ficamos  mas próximos da estrutura das nossas relações , das que nos são dadas e das que formamos ,do corpo que somos e do corpo que vivemos.</p>
<p><strong>6. O dispositivo da experiência com os pacientes do HD:</strong></p>
<p>Duração:  10 encontros<br />
Dia: às 4os feiras<br />
Hora: das 13 às 14 horas.<br />
Pacientes: fora de crise – estimulamos a continuidade a cada semana mas vai que quer.<br />
Local: salinha de cima, com janela clara ao fundo, mostrando um pouco de verde e céu.<br />
Cenário: duas filas de cadeiras voltadas uma para a outra e um espaço para andar no meio.</p>
<p><strong>5. Os encontros:</strong><br />
Aqui as notas de Denise se misturam com a minha escrita.<br />
Denise, em sua função de anotar, esteve absolutamente presente na sala, em contato com os participantes, participando também quando se sentia movida a compartilhar alguma observação ou mesmo contribuir com indicações e suporte para algum participante. Os encontros 6, 7 e 8 ficaram inteiramente com ela.<br />
Todos os outros encontros, eu mesma os conduzi.<br />
No Grupo de Movimento (GM), pedimos que reconheçam como fazem o que fazem, como respondem à situação grupal presente com o conjunto de suas formas.<br />
Para que possam fazê-lo, principalmente com pessoas de baixa organização, os imitamos,<br />
o outros do grupo os imitam, pedimos que repitam um gesto, uma expressão, uma presença somática. Vamos também ajudando a criar uma memória dos encontros, das descobertas e experiências com o corpar, chamando de volta formas experimentadas em encontros anteriores.<br />
O coordenador vê e ao mesmo tempo busca modos de dizer o que vê, para que o grupo experimente as formas e comportamentos descritos.<br />
O GM é uma conversa extremamente concreta sobre como as pessoas parecem o que realmente estão sendo e sentindo, como mostram o que são e sentem, embora não o saibam muitas vezes.<br />
O GM com esse grupo foi uma experiência de chamá-los para uma conversa no presente sobre como são e como às vezes temem ser – mostrando/fazendo/falando sobre seus sofrimentos, estranhas emoções e sensações físicas, mostrando fisicamente como é, encenando( biodramatizando, no dizer de Keleman) de modo simples e muitas vezes emocionante a forma física de sua experiência existencial, como pessoa e como doente. Falamos sobre nós, lá.<br />
Era visível o esforço de concentração e presença – o grupo geralmente conseguia sustentar de 40 a 45 minutos de atenção corpada no trabalho</p>
<p><strong>Primeiro Encontro:</strong></p>
<p>Participantes: Reinaldo, Marcos, Gabriela, Jaqueline e Ivone.<br />
Consignas:<br />
As sensações, os sentimentos, tudo o que somos está no corpo.<br />
Podemos aprender a conhecer melhor como fazemos  para poder mudar o que fazemos.<br />
Vamos fazendo (= posturando) e imitando .<br />
As pessoas mostram ,nos jeitos delas, como são.<br />
Como vocês me vêem? Como entendem a minha forma?<br />
Respostas do grupo: tímida, alegre, comunicativa.<br />
Fazem o meu jeito  &#8211;  dão mais e menos forma à forma imitada.<br />
Como vocês fazem timidez? Alegria? Comunicação?<br />
Como sabem que sou tímida?<br />
Você vira os pés para dentro quando fala conosco.<br />
Olhar para a coordenadora ( a coordenadora espelha as formas do grupo, para que eles possam receber suas formas de volta).<br />
Tímida é virar as partes do corpo para dentro.<br />
Como fazemos para esconder o que somos ou fazemos?<br />
Experimentar nas próprias formas:<br />
- esperto<br />
-aberto/fechado<br />
- proximidade/distância.<br />
Como fazem os olhos? Como os olhos olham nas diferentes situações?<br />
Através das formas do olhar trabalhamos: proximidade-confiança  e  distância- desconfiança.<br />
Utilizamos essas quatro formas mínimas para operar a vinculação inicial.</p>
<p>Pequenos movimentos não reconhecidos anteriormente são repetidos, experimentados, imitados por todos: uma pequena ginástica emocional e de comunicação grupal.<br />
No final, o tônus começa a se auto-regular reflexamente.<br />
A coordenadora usa de um pequeno dispositivo pedindo que o grupo fique um pouco com os braços levantados. Aparecem, então, reflexos de extensão: espreguiçar, alongar, encolher.<br />
No GM, um dos segredos é passar diretamente de um registro para outro – das atitudes, para os sentimentos, para as propriedades fisiológicas das ações, para anatomia delas, etc.</p>
<p>Como sabemos o que estamos sentindo?<br />
O coração faz o ritmo da vida em nós.<br />
Experimentando os ritmos, colocando a mão sobre o coração.<br />
Como o coração está batendo?<br />
Imitamos o som do coração que telegrafa um estado.<br />
Achando as palavras,expressivas (e não descritivas), bombeadas pelo pulso do coração.<br />
Tocando a canção da experiência a partir dos diferentes ritmos de cada pessoa do grupo.<br />
A forma ,simultaneamente, comunica e organiza o que sentimos .</p>
<p><strong>Segundo  Encontro:</strong></p>
<p>Participantes: Reinaldo, Marcos, Jaqueline e Lucimeire.<br />
Consignas:<br />
Lembrando o grupo anterior: confiança – desconfiança , aberto – fechado.<br />
As batidas do coração. A voz do coração.<br />
O  espreguiçar.<br />
Lembrando a forma “tímida da Regina”- a forma tímida com os pés virados para dentro.<br />
Fechando e abrindo os pés (sentados). Fechando  e abrindo a forma – focando a forma.<br />
Imitando Lucimeire, que diz seus pés não tocarem o chão.<br />
Imitam, sentados ,pés pendurados no ar, sem tocar o chão.<br />
Reinaldo diz: “Quando os pés não tocam o chão perdemos o controle”.<br />
Notam que falta de forma é a mesma coisa que pouco controle.<br />
Dialogo com as pernas: Como são nossas pernas ? Espertas, magricelas, compridas, frágil<br />
e forte. Diferença entre perna esquerda e direita. Lucimeire conta a estória do acidente com o tornozelo.<br />
Andar pela sala. Percebendo os diferentes estados emocionais. O modo de andar relacionado ao estado de espírito.<br />
Percebendo a respiração associada á ação .<br />
Descobrindo os braços-expansão/contração do peito relacionadas ao uso dos braços.<br />
Mapear, lembrar e exercitar.<br />
Qualidade da experiência associada á ação: fraco, forte, instável,esperta .<br />
Jaqueline percebe como se defende com a perna direita.<br />
Longa conversa falando/fazendo as expressões das nossas pernas.<br />
Marcos percebe que tem braços “desgrudados” do corpo.<br />
Como nós poderíamos ajudar o Marcos a fazer um braço que ajude a encher de ar o peito? Respiração experimentando estados de encher e esvaziar.<br />
Construímos uma associação de olho mão- braço- respiração.<br />
Os olhos servem para pegar coisas que o braço não alcança.<br />
A respiração expande e recolhe.<br />
Da janela, alcançamos brilhos, sombras e objetos à distância</p>
<p>O grupo como multiplicador, sustenta a cumplicidade, mostra e ensina jeitos.<br />
Contamos estórias somáticas do que estamos fazendo. Descrevemos, em termos somáticos, formas e expressões de cada um . Paramos em diferentes formas, experimentando junto, descobrindo ações e sentidos um pouco diferentes, reconhecendo como sentem e o que sentem, a partir de suas formas corporais. Reconhecendo a correspondência do dentro com o fora. Falando e fazendo ao mesmo tempo. Olhando, reconhecendo, imitando o que sente o outro. Recebendo os efeitos de vitalidade e presença quando sintonizam com a própria forma, ação, expressão e sentido</p>
<p><strong>Terceiro Encontro</strong></p>
<p>Participantes: Marcos , Meire , Reinaldo, Jaqueline.<br />
Consignas:<br />
Relembramos  o encontro anterior:<br />
Como eram as formas pouco formadas?<br />
Como foi o movimento com as pernas?<br />
Marcos lembra que a Regina pediu para ele encostar os pés no chão.<br />
A  Lucimeire não alcança o chão, lembra o grupo.<br />
Reinaldo lembra da sensação de descontrole com os pés longe do chão.<br />
Reinaldo se reconhece alto e Lucimeire pequena.<br />
Experimentam suas diferentes alturas, falam de suas referências familiares de tamanho, situam o tamanho como relativo.<br />
Marcos diz: “Eu gostava do tempo que era pequeno, porque era protegido “.<br />
Experimentamos formas de proteção.<br />
Trabalhamos em duplas : a pessoa em pé faz a forma do que oferece proteção, e a pessoa sentada(para ficar pequena) recebe  proteção. As pessoas vão trocando sucessivamente de posição até que todos tenham vivido as duas formas: protetor e protegido.<br />
Os movimentos acontecem com gestos de forma delicada e de grande emoção. Silêncio e respeito ambientaram a sala.<br />
Gestos de proteção tocando suavemente o ombro do parceiro.<br />
O que vocês estão sentindo? Pela respiração podemos descobrir como estamos nos sentindo.<br />
Mais calmos, dizem.<br />
Como vocês percebem sua relação com o ar que entra em você?<br />
As mulheres do grupo se perceberam cheias de ar e com ansiedade. Os homens, vazios de ar. Dizem, ficar vazio é uma forma de não fazer bobagens e, também, de não sentir o sofrimento.</p>
<p>Experimentam ficar ,costas com costas, em duplas, para sentir a respiração do outro e tentar descobrir o que ele pode estar sentindo. Ficam  um bom tempo explorando essa situação. Depois ficaram meio perdidos e o ambiente, meio esvaziado.<br />
O que está acontecendo na cabeça? .<br />
Marcos e Meire falam de cabeça vazia, de uma sensação de depressão.<br />
Reinaldo fala de um aperto dentro da cabeça.<br />
Regina pede para ele fazer com as mãos a forma do aperto. Pede que faça o gesto diante do próprio rosto, olhando. Pede para ele dizer :“Este é um nó que não desmancha”</p>
<p>Ficaram tristes.</p>
<p>Será que vocês podem lembrar uns aos outros ,durante a semana, o que estamos aprendendo sobre nossas formas ?<br />
Meire diz que lembrou de falar,várias vezes, para o Marcos encher mais o peito.</p>
<p>Terminamos o grupo com uma roda e lembrando como é proteger e ser protegido.<br />
De forma suave, delicadamente, deixando-se tocar os ombros no circulo.</p>
<p>Com seus poucos recursos pessoais de sustentação, eles tendem a perder forma e a experimentar sensações de desorganização .<br />
As consignas têm sido direcionadas para ajudar a aumentar o limiar de sustentação de presença, individual e grupal.</p>
<p><strong>Quarto encontro</strong></p>
<p>Participantes: Reinaldo. Marta, Jaqueline.<br />
Consignas :<br />
Lembrando o grupo anterior: os sentimentos acontecem no corpo.<br />
Apresentando o grupo anterior para a Marta. Reproduzindo formas de proteger e ser protegido.<br />
Marta se emociona com a proteção e lembra da briga que teve com o filho antes de sair de casa. Diz: &#8211; Este movimento é muito profundo.<br />
Como seria trazer força para dentro do corpo? Como se ligar no que é mais forte no meu corpo?</p>
<p>Marta diz : quando sinto meu corpo mais quente e isso me dá força.<br />
Regina:Vamos procurar respirar no peito e tentar ao tocar o outro passar força para ele.Onde sou forte?.<br />
Marta fala de sua pernas que são fracas.<br />
Regina: &#8211; Vamos experimentar as pernas com movimentos soltos e redondos , colocando de forma firme os pés no chão. Dando apoio com a palma da mão na coluna, formamos um trenzinho , um apoiando o outro .</p>
<p>Experimentando formas do andar: o andar pesado ( Jaqueline e Marta ) , o andar desconfiado e envergonhado ( Reinaldo ).<br />
Regina: “Nós sentimos de acordo com o que fazemos . Se imitarmos um olhar de desconfiança, vamos descobrir sentimentos de  desconfiança .<br />
Vamos imitar o andar pesado, fazendo a cabeça pesada, os olhos para baixo ,olhando o chão.<br />
Alguem diz que assim corpo balança como se estivesse solto no mundo.<br />
Vamos achar um jeito de olhar para cima. Vamos colocar as mãos na cintura, vamos tentar apoiar nossa coluna e sustentar nossa cabeça.<br />
Os andares  vão ficando mais leves e menos desconfiados.<br />
Descobrimos que esse  é um modo de andar que permite ver , ouvir e sentir mais.</p>
<p><strong>Quinto encontro</strong></p>
<p>Participantes: Jaqueline, Josué, Gabriela, Renata<br />
Consignas:<br />
Lembrando o grupo anterior.<br />
Jaqueline apresenta o grupo para os novos, como um espaço de apoio e ajuda, onde aprendemos uns com os outros.<br />
A partir da lembrança do olhar desconfiado e do olhar mais seguro doencontro anterior, começamos uma conversa sobre as formas de olhar. Então fomos descobrindo as diferentes formas de olhar de cada um : olhar triste,olhar longe,olhar pesado de cabeça cheia,<br />
Foram aparecendo impressões de si a partir da imitação dos diferentes olhares. Então apareceram falas sobre: a sensação de corpo inexistente,o corpo como invisível,a alma distante do corpo.<br />
Como será que podemos fazer para juntar a experiência do olhar com as sensações corporais ?<br />
Vamos começar a prestar atenção nas nossas articulações, nas juntas do corpo.<br />
Posturando a forma sentada , vamos imaginar, só imaginar: como seria levantar e ficar em pé? Onde será que nós nos acionamos para ficar em pé?. Então vamos percebendo que nós nos juntamos através das articulações, criando uma força de propulsão que nos coloca em pé. Depois abrimos as articulações para sustentar nossa forma em pé. Abrindo e fechando as articulações vamos criando uma forma, um jeito nosso de nós movermos e nos colocarmos no mundo.<br />
Respostas do grupo depois de experimentar, corpando e imitando formas de se articular:<br />
-	Aprendi a andar mais atento,<br />
-	Fiquei mais ligado, me sinto mais romântico<br />
-	Estou mais segura,<br />
-	Percebi que meu andar é tímido.</p>
<p>Trabalhando com a Gabriela:<br />
<strong>Regina</strong>: Onde você acha que começa  aparecer sua forma tímida ? Sinta  a forma da sua bacia, ela tem um jeito de se segurar contraindo as juntas, como se fosse para segurar a vergonha.<br />
<strong>Gabriela</strong>:- “Minha família me critica e eu me sinto ridícula, acho que pareço um robô. Minha mãe me vai me colocar nas aulas de dança para eu me soltar .<br />
<strong>Regina</strong>: Experimente caminhar na sua forma tímida, sentindo seu peso, e sentindo todas suas articulações.</p>
<p>Gabriela repete muitas vezes o andar tímido até começar a usar mais as articulações.</p>
<p><strong>Regina</strong>: Agora você vai continuar andando e ao mesmo tempo vai dizer: &#8211; Eu posso mexer as minhas articulações, eu sou  bonitinha e não sou ridícula .<br />
O grupo vai repetindo junto com ela : você pode mexer suas articulações porque você é bonitinha e não é ridícula.</p>
<p>O grupo diz: não sabia que o corpo mostrava tanto de nós, mexer as juntas me ajudou a sentir mais solta e mais leve.</p>
<p><strong>Sexto Encontro</strong></p>
<p>Participantes: Josué, Jaqueline, Marta, e Reinaldo .<br />
Consignas:<br />
Retomando o grupo anterior.<br />
Lembrando formas: tímidas, ausentes, desconfiadas.<br />
Ao apresentar as formas o grupo começou a ganhar um tom mais afetivo.</p>
<p>Denise: &#8211; Como nós podemos contar o grupo passado para a Marta?</p>
<p>O grupo começa a falar e Marta diz que se sente acolhida mas que não merece tanto cuidado.</p>
<p>O grupo começa a dizer a Marta que também sentem muito acolhidos e cuidados na relação com ela.</p>
<p>Denise: &#8211; “Vamos caminhar procurando achar em nós a nossa forma afetiva. Se eu pensar em demonstrar afeto que forma se organiza em mim?</p>
<p>Aparecem no grupo formas tímidas e recolhidas, inundadas, desmanchadas e desconfiadas.</p>
<p><strong>Denise:</strong> &#8211; “Vamos imitar as formas que apareceram, vamos provocar em nós a organização destas diferentes formas de nos fazermos afetivos”.</p>
<p>Depois de algum tempo experimentando as diferentes formas, fazendo-as deslizar no contínuo de mais consistência ( mais forma ), e de desmanchar ( menos forma ), o grupo começa a organizar suas respostas particulares.<br />
Reinaldo começa a encher mais o peito de ar  e seus olhos começam a ficar menos desconfiados, aumentando o contato.<br />
Marta fica mais focada nos olhos e menos inundada no peito, com as pernas mais organizadas aumenta sua sustentação.<br />
Josué vai lembrando da maciez  e da flexibilidade das articulações, e começa a ficar mais lúdico.<br />
Jaqueline vai se reunindo, puxando os membros para mais perto da coluna, fazendo articulações menos frouxas , mostrando-se mais segura.</p>
<p><strong>Denise</strong>: &#8211; “Com estas novas formas que vocês organizaram, vamos experimentar formar duplas, e frente à frente   com as palmas das mãos em contato com as do outro, vamos experimentar transmitir afeto e receber afeto,  um parceiros que fica ativo e outro  o recebe, depois invertem o movimento.</p>
<p>Terminamos o encontro com uma conversa sobre como é sentir-se mais em contato sem se sentir inundado, mais preenchidos ou não tão vazios.</p>
<p><strong>Sétimo Encontro</strong></p>
<p>Participantes: Josué, Jaqueline , Sandra , Marcos.</p>
<p>Consignas:<br />
Retomando o grupo anterior. Antes mesmo  de o grupo contar para Sandra o encontro anterior, Marcos deita a cabeça em seu colo e pede carinho. Sandra assusta-se e fica rígida,  quase congelando ao contato. Marcos, de espalhado volta a se reunir, e diz que ás vezes é muito difícil conter seus impulsos. E organiza mais contenção.</p>
<p><strong>Denise</strong>: &#8211; “Começamos então uma conversa a partir destas formas que apareceram. Trabalhando proximidade e distância , vamos aprender através do manejo dos braços e do peito formas que nos abrem para o contato e formas que nos fecham “.</p>
<p>Os padrões do contínuo do susto apareceram através de formas extremamente rígidas e desmanchadas. Trabalhamos no sentido de fazer mais  e menos  rigidez. Neste momento começamos a organizar formas de dizer não e limitar o contato e formas de dizer sim liberando o contato.</p>
<p>Experimentamos estas formas formando duplas que trabalharam movimentos de proximidade e distância, prestando atenção na respiração para poder escolher entre proximidade e distância, ou entre dizer sim e não. Usando os braços para limitar o fazer crescer o contato , sempre conectados com as respostas do peito e se permitindo respeitar a si mesmo e ao outro .</p>
<p>Terminamos o encontro andando e percebendo os efeitos , e organizaram respostas com formas mais preenchidas e leve.</p>
<p><strong>Oitavo encontro :</strong></p>
<p>Participantes: Marta, Sandra, Jaqueline, Meire, Renata, e Marcos.<br />
Consignas:<br />
<strong> Retomando o grupo anterior</strong>: &#8211; “Sandra traz a experiência de estar sentindo-se mais segura, ao andar no metrô pode fazer com as mãos limites para as pessoas”<br />
Meire traz a questão de que como não pode estar nos grupos anteriores, temia não conseguir acompanhar o grupo.<br />
Marcos fala da dificuldade de ficar contido&#8221;.</p>
<p><strong>Denise</strong>: &#8211; “Vou propor à vocês que nós fiquemos em pé, e fazendo contato com nossas pernas vamos nos apoiando nelas,  encontrando um jeito de nos sentirmos firmes em nossas pernas. Então mais apoiados em nós, vamos pesquisar formas que eu venho com mais freqüência experimentando . Então nós vamos expandir e contrair estas formas , no sentido de deixá-las mais nítidas&#8221;.</p>
<p>Respostas do grupo:<br />
Sandra  fala da dificuldade de lidar com o fato de chamar à atenção dos outros. Fica assustada quando se sente observada, vai contraindo todo o corpo, principalmente o peito e os ombros. Descobriu que fazendo uma forma mais flexível pode fazer movimentos de proximidade e distância, isso fez com sentir-se mais segura. Aprendendo a dizer sim e não, através de uma atenção maior na respiração e nas sensações do peito”.</p>
<p>Marta fala como se desmancha no contato com o outro, pois vai ficando inundada de emoção. Fazendo mais e menos a forma desmanchada pode descobrir a ação dos músculos que podem sustentar sua coluna , e fechar um pouco o peito, estes movimentos lhe permitiram descobrir como é estar em contato e não ficar tão inundada de emoção”.</p>
<p>Renata fala da dificuldade de se mostrar, lembra que teve que abandonar a faculdade de arquitetura porque no último ano teria que se expor à uma banca examinadora. No grupo experimentou desconforto e frente suas falas começou à experimentar angústia”.</p>
<p>Meire sente-se tocada pela fala da Renata, e diz que quando assumiu um cargo de coordenação perdeu a voz, pois teria que falar nas reuniões. Diz – “Minha psicóloga fala que eu tenho atitudes infantis. Depois do acidente que sofri só me sinto segura com meu marido.</p>
<p><strong>Denise </strong>– “Você percebe que conseguiu se colocar e se expor diante do grupo, mesmo sem a presença do seu marido?”.</p>
<p>Meire fica alegre e diz que não havia percebido, mas que a sensação agora que pode perceber é muito boa, de confiança e expansão.</p>
<p>Jaqueline fala de sua timidez.  – “Parece que minha timidez aparece quando me contraio e fico menos desmanchada.”    Então conversamos de como a forma tímida também é uma forma de presença, e que assim ela pode se fazer presente.</p>
<p>Marcos fala da falta da “Regina”, pergunta se ela ainda está  viajando . – “Diz : &#8211; Foi ela que começou o trabalho comigo  .</p>
<p><strong>Nono encontro</strong></p>
<p>Participantes :  Adriana- A, Adriana- B, Meire, Reinaldo, Sandra, Marta.<br />
Consignas:<br />
Ao iniciar o grupo Adriana A fala que deseja ler uma poesia.<br />
<strong>Regina </strong>: &#8211; “Está bem! Você pode ler&#8221;.<br />
A poesia fala do sofrimento de não ser  compreendida em seu sofrimento.<br />
<strong>Regina</strong>: &#8211; “Como é podermos falar do nosso sofrimento, como nós percebemos a forma de sofrimento em nós.</p>
<p>Neste momento começaram falas dos sentimentos que vivem.</p>
<p><strong>Adriana B</strong> – “Eu sofro de bulimia, sinto um  desespero  enorme de ficar com o alimento na minha barriga, ela é enorme e eu preciso vomitar para aliviar minha angústia. Quando minha mãe fecha o banheiro e eu não posso vomitar, pego uma faca esquento no fogo e me corto, precisa doer muito para aliviar a dor que sinto dentro de mim .<br />
<strong>Regina </strong>– “Como você percebe o tamanho da sua barriga “.<br />
<strong>Adriana B.</strong> – “Ela é enorme, eu sou enorme, muito gorda.<br />
<strong>Regina </strong>– “Venha aqui perto de mim, e vamos experimentar o seu tamanho em relação ao meu tamanho. Toque em mim perceba as proporções e vá medindo. Agora você vai fazer isso com o grupo todo, um de cada vez. Você acha que é maior que todos eles, então você vai tocá-los e comparar com seu tamanho, vai tocá-los e depois tocar você mesma”.<br />
<strong> Adriana B</strong> – “Sinto um vazio dentro de mim, mas estou um pouco mais aliviada.<br />
<strong>Regina </strong>– “Vamos procurar após esta experiência respirar um pouco,vejam todos ficamos afetados pelo sofrimento da Adriana B. Então vamos encher e esvaziar o peito, deixando o ar entrar e sair.<br />
<strong>Sandra </strong>– “Eu compreendo a Adriana B. , eu entrei em uma loja e comprei oitenta pares de sapato, não consigo conter a compulsão. Me acho horrorosa, meu rosto é todo deformado, todo retorcido”.<br />
<strong>Regina </strong>– “Mostre para nós este rosto, como ele é ? “</p>
<p>Sandra vai montando uma expressão de horror, criando uma careta. Regina pede que ela junte as mãos em sua expressão colocando-as ao lado do rosto. Ao mesmo tempo pede para que todo o grupo reproduza a expressão da Sandra .<br />
Fazendo mais e menos na expressão de horror vão surgindo no grupo sentimentos de: tristeza, medo  aflição e angústia.</p>
<p><strong>Adriana  A</strong> – “Eu me sinto perseguida, com sentimentos de traição. Como se todo tempo tivesse alguém atrás de mim. Empurrando as minhas costas.</p>
<p><strong>Regina</strong> – “Mostre para mim como é a pressão nas costas. Faça nas minhas costas o que você sente na sua, usando sua mão. Agora você vai pressionar e dizer : “Você está condenado !!!!.Formando uma roda todo o grupo vai organizar esta forma, vamos fazendo uns com os outros.</p>
<p>Terminamos o grupo abrindo para compartilhar as experiências deste encontro. Falas do grupo: &#8211; “Vivemos muita solidão e sofrimento ,  poder compartilhar foi muito bom. Trouxe alívio.<br />
<strong> Décimo encontro:</strong></p>
<p>Participantes :  Adriana A, Adriana B , Sandra, Marta, Reinaldo, e Meire<br />
Consignas :<br />
Lembrando o grupo anterior. Falas do grupo:</p>
<p>- O espelho deformado da Sandra,<br />
-	A compra dos oitenta pares de sapato,<br />
-	Experimentando os diferentes tamanhos de barriga com a Adriana B.,<br />
-	A Adriana A leu sua poesia e contou sua estória.</p>
<p><strong>Adriana A</strong> – Ah! Eu vou desmaiar!<br />
<strong>Regina:</strong> &#8211; Encoste sua cabeça. Parece que você está arrumando um jeito de chamar a atenção.<br />
<strong> Adriana A</strong> – Não, eu estou passando mal.<br />
<strong> Regina:</strong> &#8211; “Agora você está melhor?. Então podemos parar de olhar para você.<br />
<strong> Adriana A</strong> – Onde está minha atenção !!!!!!!. (Sorrisos).</p>
<p><strong>Regina:</strong> &#8211; “Como vocês fazem para chamar  atenção?. Cada um vai ocupar esta cadeira ã frente do grupo e mostrar como faz para chamar atenção, e o grupo vai imitar a forma apresentada. Um de cada vez vai sendo o protagonista.<br />
<strong> Reinaldo:</strong> &#8211; “Eu não gosto de chamar atenção. Acho que tem algo errado em mim quando as pessoas me olham. Forma:  caladão, respirando contido, expressão fechada.<br />
<strong> Adriana A </strong>– “Eu não sei chamar atenção. Então foi soltando o cabelo,ficando dengosa, jogando charme.<br />
O grupo mostra para ela sua forma, ela reconhece.</p>
<p><strong>Adriana B</strong> – “Chamo atenção me cortando.</p>
<p>Regina a convida a mostrar como faz. Então ela vai passando a unha sobre o braço como se estivesse usando uma faca. Num primeiro momento diz que precisava de uma faca. Regina diz não, e a convida a fazer o movimento com a mão. O grupo reproduz seu movimento para que ela possa ver. Ela diz que ficou desesperada de ver, mas não sabe fazer diferente.Conta que a irmã ao ver, no outro dia, tapava os olhos dizendo: Não quero ver coisa tão horrorosa.<br />
Regina pede par o grupo repetir em coro muitas vezes a frase enquanto ela simula cortar-se: &#8211; “Não quero ver uma coisa tão horrorosa!”.<br />
<strong> Adriana B:</strong> Fico com vontade de continuar cortando. Passar o dedo de leve com a Regina sugeriu não é bom, porque a dor é importante para mim, alivia minha culpa de comer, porque comer engorda. Eu não posso ser gorda porque ninguém vai me aceitar.</p>
<p><strong>Regina</strong> – “Gostaria que você escolhesse alguém para fazer este movimento suave no seu braço. Enquanto ela estiver tocando você vai repetir: &#8211; Ela está me aceitando mesmo com todos os meus defeitos”<br />
<strong> Adriana B</strong> – “Eu escolho a Adriana A. Ela vai recebendo o contato, enquanto vai repetindo a frase Regina a orienta para colocar a mão sobre a barriga, como se ela estivesse recebendo uma comida boa, que pode fazê-la crescer.<br />
<strong> Regina:</strong> &#8211; “Você diz para si mesma : &#8211; Eu te aceito, &#8211; Eu  te quero bem.</p>
<p><strong>Adriana B.:</strong> &#8211; Isso tudo me acalmou “.</p>
<p><strong>Sandra:</strong> &#8211; “Cabeça baixa, as mãos se apertando. Sentindo-se sozinha, infeliz e angustiada.<strong> Regina diz:</strong> &#8211; “Quando uma pessoa se fecha ela fica sozinha, como seria achar um jeito de colocar as pessoas perto”.<br />
Aparece então um jeito de chamar com os olhos. O peito vai saindo do susto. Ela vai recebendo a solidariedade do grupo. Respirando e olhando, vai ficando emocionada de poder receber.</p>
<p><strong>Meire</strong> – “Eu preciso da atenção do marido 24 horas por dia. Quando ele não pode estar comigo sinto uma angústia enorme,para aliviar eu me bato com objetos, pulo da escada, me enfio em baixo da cama.<br />
Regina a convida a reproduzir o gesto de bater. Ela vai batendo lentamente com o punho fechado na perna. Eu não quero bater, mas não consigo parar. A angústia é maior que o desejo de não me machucar.<br />
<strong> Regina:</strong> Parece que é uma criança que agarra na mãe e não pode deixar ela ir.</p>
<p><strong>Regina:</strong> &#8211; Vamos criar com o grupo em roda um ninho, um berço, para conter e embalar a Meire.</p>
<p>Então o grupo criou uma forma aconchegante de embalar , com movimentos suaves, firmes e redondos, todos muito próximos. Cada membro foi revezando em fazer parte da membrana que dava contorno e ficar no centro do grupo recebendo cuidado e se aninhando. Todos puderam experimentar as duas formas do que acolhe e do que é acolhido.</p>
<p>Trabalhamos o tempo todo com a multiplicação de cenas, aprendendo uns com os outros<br />
Isso ajuda criar validação de si juntamente com uma ecologia onde esses singulares comportamentos funcionam para produzir contato, ajuda, conhecimento, e sobretudo fazem sentido .</p>
<p><strong> S. Paulo, novembro de 2000.</strong></p>
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		<title>Diálogos: Rogério e Regina</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Apr 2008 15:51:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>temporario</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>
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		<description><![CDATA[Neste pequeno vídeo, Regina sintetizou os pontos-chave para a compreensão do pensamento formativo.  ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=750753&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=750753&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="300" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=750753&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=750753&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1"></embed></object><br />
<a href="http://vimeo.com/750753?pg=embed&amp;sec=750753">rogerio e regina: dialogos</a></p>
<p>Esta é uma longa conversa, que já dura 15 anos. Neste pequeno vídeo, Regina sintetizou os pontos-chave para a compreensão do pensamento formativo. O texto, editado por Beto Teixeira, <a title="Regina e Rogério, fragmentos de uma conversa " href="http://laboratoriodoprocessoformativo.com/pesquisa/regina-e-rogerio-fragmentos-de-uma-conversa-de-15-anos/" target="_blank">está aqui</a>.</p>
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		<title>Regina e Rogerio: fragmentos de uma conversa de 15 anos</title>
		<link>http://laboratoriodoprocessoformativo.com/2008/03/regina-e-rogerio-fragmentos-de-uma-conversa-de-15-anos/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Mar 2008 09:47:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>

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		<description><![CDATA[Os fragmentos apresentados a seguir foram extraídos de registros em vídeo de aulas de Rogerio em meus Seminários sobre Anatomia Emocional. Foram coletados por Beto Teixeira, em suas notas de aula e em transcrições de vídeos do grupo no qual ele funciona como “ escriba” e fotógrafo, e editados por Rogerio e por mim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quando comecei o estudo e tradução dos livros de Keleman, em l990, senti de imediato a necessidade de compreender as raízes evolutivas de sua concepção formativa do corpo absolutamente única.<br />
Rogerio Sawaya já era, naquela ocasião, um médico experimentado, um obstetra, introdutor no Brasil do Método Leboyer de parto, filho de um grande biólogo brasileiro. Assim, Rogerio  tinha  uma grande intimidade, desde casa, com a vida e seus processos  e, mais tarde, com as pesadas leituras científicas  as quais, para mim sozinha, seriam inacessíveis.<br />
Por uma feliz coincidência, quando nos encontramos pela primeira vez, ele estava a  procura de um sentido mais profundo para seu interesse no estudo do corpo, que estivesse além do olhar médico. A amplitude e profundidade do olhar de Keleman em relação à vida ao qual o introduzi, tiveram um efeito desconcertante sobre ele.</em></p>
<p><em>Esse foi o começo de uma troca real e produtiva, que se mantém viva e em movimento até hoje<br />
Os fragmentos apresentados a seguir foram extraídos de registros em vídeo de aulas de Rogerio em meus Seminários sobre Anatomia Emocional. Foram coletados por Beto Teixeira, em suas notas de aula e em transcrições de vídeos do grupo no qual ele funciona como “ escriba” e fotógrafo, e editados por Rogerio e por mim.<br />
Beto é bailarino, terapeuta corporal, estudante, colaborador e pesquisador dedicado da minha transmissão kelemaniana. </em><br />
Regina Favre</p>
<p><strong>Regina: </strong>Ao ler, compreender e trazer para nossas vidas a Anatomia Emocional, construímos profundamente um sentimento de sermos parte de um processo maior, de não sermos indivíduos isolados, algo “em si mesmo”. Esse estudo nos possibilita, também, sentir que compartilhamos de um pulso universal, presente desde o Big Bang há cerca de l5 bilhões de anos atrás. Os inputs trazidos por Rogério para nosso estudo contribuem¸ gradualmente, para estimular e alargar nossas possibilidades de auto-reconhecimento como anatomias evolutivas e, consequentemente, aprofundar  nossas possibilidades de auto-manejo.</p>
<p><strong>Rogério: </strong>No final do processo de seleção pré-vital  no planeta, a vida apareceu. E quando surge, a vida fez “recortes no ambiente” particularizando  um ambiente interno, pequenos oceanos individualizados. Nessa ocasião, a vida criou a membrana celular. Em cada célula que apareceu desde então, há mais de 3 bilhões de anos atrás – seja ela uma célula primitiva, como uma bactéria ou uma célula moderna, como as que constituem nosso corpo – é sempre uma membrana que garante sua individualidade.<br />
Pela presença dessa membrana, a célula protegeu-se desde o início da competição de moléculas do ambiente. A célula contém em seu centro os ácidos nucléicos – RNA e DNA – que, até alguns anos atrás, eram considerados apenas como as moléculas que contém o código hereditário. Atualmente, há uma compreensão mais ampla: os ácidos nucléicos expressam as características hereditárias codificando a síntese de proteínas estruturais, essenciais para a formatividade celular.<br />
Nas células mais primitivas – procariócitos – não existia um núcleo como nas células modernas. O RNA e o DNA  delas permaneciam livres e diluídos no citoplasma tornando-se vulneráveis à ação competidora de moléculas da vizinhança. A célula moderna, eucariócito (eu = própria, karion = núcleo) inventa um núcleo com membrana dupla – a estação celular central – onde se aloja o código hereditário que garante a base da formatação funcional, assim como que a vida possa se replicar e prosseguir.<br />
Outra coisa essencial que a vida criou desde o aparecimento das células são os ribossomas, centenas de milhares de minúsculos órgãos celulares, micro-indústrias que manufaturam as proteínas do corpo. É nos ribossomas, por exemplo, que células glandulares produzem, a insulina do pâncreas. De maneira análoga, eles produzem no  sistema imunológico os anticorpos, uma variedade de proteínas que protege o organismo vivo de invasores.<br />
Esta é uma visão básica e muito simplificada da célula, protótipo de todo organismo vivo tal como descreve Keleman em sua Anatomia Emocional.<br />
A membrana celular é constituída de uma dupla camada de moléculas de gordura especiai. Essa membrana é altamente seletiva: não é qualquer substância que é capaz de atravessá-la, do interior para o exterior ou vice-versa.<br />
Existem micro-canais proteicos que atravessam a membrana e alcançam o interior da célula, capazes de selecionar o que entra ou não em seu ambiente interior. Esses micro-canais abrem-se ou fecham conforme as necessidades vitais das células.<br />
A célula pulsa, expandindo e contraindo, concentradamente dentro de sua membrana elástica tal como todos os organismos vivos em toda a escala evolutiva até nós.Esse é o paradigma  da Anatomia Emocional kelemaniana.<br />
Durante o período inicial da evolução, a vida – através de infinitas tentativas e com seu elevado poder morfogenético  &#8211; começou a produzir seres unicelulares, protótipos de sistemas celulares complexos que prosseguiram evoluindo até os seres multicelulares, altamente elaborados, do nosso nível macro. Mesmo em alguns unicelulares, já se delineava uma boca primitiva para capturar partículas nutricionais da vizinhança e um protótipo de tubo digestivo. Em outros, cílios na superfície da membrana celular batiam de modo sincronizado para promover o deslocamento no ambiente. Uma pré-figuração de um micro-sistema neuro-motor, portanto, já estava presente nessa ocasião.<br />
A vida, dessa maneira, em seu impulso formativo, tentou repetidamente, diversificou-se e atingiu um limite com os seres unicelulares. Para continuar a explorar eficazmente o ecossistema, a vida conectou células-irmãs com células-irmãs formando colônias como, por exemplo, as esponjas marinhas. Colônias multicelulares tornaram-se mais complexas e aprenderam a fazer uma divisão de trabalho, com a finalidade de captar melhor as reservas energéticas e nutricionais do ambiente. Esse conjunto de eventos vitais foram sempre dirigidos pela seleção natural darwiniana na qual as formas mais aptas prosseguem.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Gostaria de falar à respeito do conceito de fitness  que, acredito, teve uma interpretação errada , sendo identificado apenas como a lei do mais forte. Mais fitness não é somente ganhar a competição por espaço e alimento. É também, e principalmente, ter mais capacidade para fazer conexões com os ambientes, sejam estes grandes ou pequenos. Nessa visão, podemos considerar que naquele momento da evolução, as formas unicelulares que sobreviveram foram aquelas com mais conectividade e capacidade para juntarem-se em colônias.</p>
<p><strong>Rogério: </strong>Fitness tem que ser entendida também como uma das características fundamentais para a continuidade e difusão da vida: ser mais complexo, ter uma complexidade biológica crescente não apenas em sua forma corporal mas também em suas estratégias para adaptação ao ambiente. É óbvio que um grupo de células que se une e efetua uma divisão de trabalho tem um grau maior de complexidade, favorável à construção de uma sociedade em adaptação.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Em inglês o verbo “ to fit “ significa estar na medida certa, como um pé cabe num sapato e vice-versa. É a fitness mútua, a conectividade de formas, aquele que se encaixa. Desde o início do impulso vivo, acredito, há o problema de encaixe ou não. Está presente a situação de cooperação, da reunião de forças para produzir algo no e com o ambiente.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> É sempre a interação. Em qualquer nicho ecológico interação é fundamental e necessária para formar e manter a organização e complexificação de qualquer sociedade celular.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Podemos ver isso no caso da molécula de carbono, auto-selecionada na natureza como a mais eficaz na produção da química dos compostos orgânicos, exatamente por sua alta capacidade de conexão. A idéia de algo que conecta em cooperação é muito interessante. Conectando em cooperação ou desconectando em competição: isso é a outra face da mesma moeda. Separação ou união, competir ou cooperar, mas sempre relacionado a alimentar mais, a produzir mais vida e, portanto, conseguir energia para  que os processos vitais celulares prossigam,  construir com mais potência as redes vivas.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Mais vida, mais capacidade para formar, com mais potencial para sobreviver, alimentar-se e reproduzir. Nesse processo surgiu uma evidente vantagem: a vida ganhou condição para explorar áreas dos nichos ecológicos até então inacessíveis a ela.</p>
<p><strong>Regina: </strong>O  investimento da vida prossegue  selecionando formas com a capacidade de se auto-sustentarem e de reagir às forças de entropia – formas de vida selecionadas que resistem às forças da desorganização no ambiente.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Isso significa que a vida continua a experimentar e criar diferenciações nesses organismos, favorecendo suas próprias forças de sustentação contra as tendências homogeneizantes do ambiente. A vida é auto-formativa na medida em que enfrenta desafios, mantendo-se num equilíbrio dinâmico. Ao proceder assim ela garante a singularidade de sua forma no interior do ambiente que continuamente tenta absorver o ser vivo para o caos primordial da entropia.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Aqui temos duas idéias. Primeira, manter essa capacidade de auto-construção a partir de si mesmo e do vivido, alimentando um processo interno. Segunda, a idéia de uma clausura operacional &#8211; como diz Francisco Varela  similarmente a Keleman &#8211; em que a membrana protege um funcionamento interno totalmente individual, onde processos auto-poiéticos ou auto-construtivos tem lugar. Há permeabilidade, há passagens, mas tudo muito bem regulado para garantir que esse funcionamento aconteça e mantenha a si mesmo em equilíbrio dinâmico.<br />
Podemos encontramos a idéia de precisão máxima nessa viagem ao interior do micro que você está proporcionando a nós. Inicialmente, podemos avaliar a dimensão da força que dispara a si mesma no universo com o evento do Big Bang – percebemos que essa  é a mesma força que vem se diferenciando na expansão do universo e  se diferenciou em cada organismo  no processo evolutivo da biosfera. A partir desse ponto, podemos  ver que a vida tem um potencial fantástico para expressar e criar gradualmente aquilo que se cabe ou adapta-se(fits), mais conectividade e mais capacidade para cooperar. O outro aspecto importante é como essa organização precisa está presente nos mínimos detalhes também sempre em auto seleção segundo o critério de mais  funcionalidade em rede. Essa compreensão pode ser estendida ao self, aos diferentes ambientes, à interação entre os corpos e as pessoas. É maravilhoso começar a compreender Keleman a partir deste ponto de vista. Penso que essa é uma pré-condição para conseguirmos um melhor aproveitamento deste livro, Anatomia Emocional, tanto do ponto de vista contemplativo como do operacional.<br />
Ao longo das leituras veremos o “aumento de excitação que requer mais forma”: formas que se organizam a si próprias para serem capazes de dar suporte a mais interações e operações internas, capazes de percorrer mais etapas em termos de organizar a excitação em formas e ações e, assim, poderem expandir e estabelecer mais conexões.<br />
Em termos de biosfera e ecossistemas, formas mais simples compõem-se com formas mais complexas. Nem tudo precisa ser complexo. Bactérias, por exemplo, tem se mantido  como formas simples por muito tempo, funcionando bem e cooperando com o sistema. Existem outras formas, porém, que seguiram uma linha de complexificação e que dispõem de um amplo espectro muito mais amplo de ação e conexão. Neste caminho evolutivo, as formas mais simples continuam interagindo em diferentes níveis, continuamente, com as formas mais complexas.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> É isso mesmo! Concordo com você. Bactérias existem há mais de 3 bilhões de anos (fósseis delas foram encontrados na África e Austrália). Elas são formas de vida primitivas e muito simples capazes de se replicar rapidamente – algumas espécies duplicam sua população em apenas 20 minutos &#8211; e apresentam um tipo de organização muito bem sucedido. Uma grande realização! Poderíamos considerar, talvez, que a vida não teria que ultrapassar o nível procariócito para ocupar, completamente, os variados ecossistemas da biosfera. A vida, entretanto, foi forçada a diferenciar-se de maneiras muito mais complexas.<br />
Isso explica a criação de eucariócitos, sua associação para construir o corpo macro de plantas e animais multicelulares cuja última etapa foi o surpreendente desenvolvimento de nosso único neo-córtex, que diferenciou o Homo sapiens do resto. Os modelos biológicos de estruturas mais simples, porém altamente bem sucedidas, mantém-se como tal até hoje. Hemoglobina é um bom exemplo. É uma molécula orgânica complexa que transporta oxigênio para os diferentes tecidos e foi inventada há muito tempo na escala dos vertebrados. Na medida em que a vida atinge o modelo correto ela mantém esse modelo, acrescentando outras estruturas para conquistar novos nichos para exploração, experimentação e produção de vida.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Como a vida consegue garantir um design estável para o corpo de cada espécie?</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Para poder transmitir as características hereditárias de cada espécie, a vida criou o elegante modelo químico de apenas quatro bases nitrogenadas que constitui o RNA e o DNA. Essas quatro bases são as letras do imenso alfabeto genômico, com bilhões de componentes – o código hereditário para todos os seres vivos. Esse dispositivo biológico está presente nas bactérias primitivas e manteve-se até a forma mais complexa de vida, o Homo sapiens. É o mesmo modelo fundamental que a vida inventou e continua a repetir até a atualidade.<br />
Esse modelo formativo, entretanto, não é suficiente para preencher as exigências concretas para a elaboração das estruturas dos organismos. A contribuição do impulso genético inicial na formação dos corpos é limitada. Dezenas de milhares de genes são insuficientes para induzir a formação completa das estruturas anatômicas que compõem um corpo adulto. No caso  do Homo sapiens, por exemplo, sabemos, a partir do ano 2.000, que apenas cerca de 30.000 genes são os indutores básicos do desenvolvimento dessas estruturas. Essa contribuição fundamental é claramente insuficiente para que a formatividade dos corpos se complete.<br />
Um processo adicional é responsável pela continuação do impulso formativo inicial dos organismos vivos induzido pelos genes. É o chamado impulso epigenético (etimologicamente, além da genética) em que comunidades de células competem entre si nos diferentes locais em que novas estruturas corporais são criadas. Nessa competição – que obedece as regras da seleção natural de Darwin – os grupos celulares mais aptos predominam no estabelecimento das novas estruturas anatômicas. Esse processo implica em divisão, diferenciação e movimento de células desses agrupamentos, além da morte das células com menos fitness para determinada situação formativa. Na formação do sistema nervoso, por exemplo, o processo epigenético atua potentemente descartando até 70% das células envolvidas na laboriosa atividade de esculpir suas estruturas. O termo Topobiologia foi criado por Gerald Edelman para descrever essas atuação local dos grupos de células, indispensável na formatividade dos corpos dos seres multicelulares<br />
Na embriogênese, os agrupamentos celulares com mais aptidão tem influência , por sua vez, sobre os genes que deram o impulso inicial para a formação das estruturas. Dessa maneira, as estruturas em formação nos diferentes locais do organismo modificam os impulsos iniciais dos próprios genes. Esse processo de estimulação de ida e volta explica, basicamente, a formação das diferentes estruturas envolvidas na constituição do corpo.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Um ponto importante para nós é esse paralelismo seletivo, em nível genético e local, que a Topobiologia considera. Isso significa que existe um programa genético inato mas que as demandas do vivido, esse ir e voltar entre genes e grupos celulares, determinam modificações nas estruturas que estão em formação. Mesmo programas neurais inatos, por exemplo, são selecionados segundo o uso de si mesmo por si mesmo (self use).</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> É o mesmo processo de ida e volta, reciprocamente influenciando o desenvolvimento da ação e da formação estrutural. É semelhante à  imagem de Escher da mão que desenha a si própria e, ao mesmo tempo, é desenhada pelo próprio desenho.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Neste ponto, há uma questão crucial no processo formativo: o vivo solidifica a si mesmo e, ao mesmo tempo, a solidificação do vivo molda as condições do devir do próprio processo.</p>
<p><strong>Rogerio: </strong>A formação do corpo dos seres multicelulares tem certa analogia com a passagem de seres unicelulares, como bactérias e protozoários, na constituição de colônias, comunidades de corpos unicelulares.<br />
<strong><br />
Regina:</strong> É importante dar ênfase à idéia de pool, ambiente e cooperação. Acho que o processo evolutivo, do nível unicelular à organização multicelular, estabelece desde o momento inicial um princípio de cooperação, ambientalização e divisão de trabalho.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Sim, podemos ver esses princípios controlando a atividade celular na formação dos diferentes tecidos, agrupamentos de células que, compõem os diversos órgãos que formam as estruturas do corpo macro. A formação dos tecidos ocorre durante o período de embriogênese em que, a partir de uma única célula mãe, a célula-ovo, duzentas variedades diferentes de células competem no estabelecimento quase definitivo dos tecidos que compõem o corpo humano.<br />
O corpo do embrião de duas semanas de vida é constituído por apenas duas camadas de tecidos primitivos: o ectoderma, que origina o envoltório externo do corpo e o endoderma que vai formar a camada que forra o interior de órgãos internas. Ambos são tecidos primitivos de natureza epitelial, lâminas de células idênticas fortemente ligadas entre si. Em termos evolutivos, são os tecidos embrionários que apareceram mais cedo. As esponjas marinhas, por exemplo, o grupo animal mais antigo na escala filogenética, são formadas apenas por essas duas camadas e seus derivados.<br />
O ectoderma dá origem à epiderme, a camada mais superficial da pele, camada de proteção e contato e ao tecido nervoso, agrupamento dos bilhões de células nervosas (neurônios) que formam a estrutura essencial de todo o sistema nervoso. O endoderma, por sua vez, origina o epitélio especializado em absorção  &#8211; encarregado da captação de nutrientes – que forra o interior de grande parte do longo tubo digestivo. Outro derivado do endoderma é o endotélio, camada mais interna de artérias, veias e linfáticos.Os brônquios também são forrados por um epitélio derivado do endoderma (grande parte do aparelho respiratório, especializado na captação do oxigênio, que oxida os nutrientes na produção de energia para as células do organismo, origina-se do aparelho digestivo).  Durante a embriogênese, células aderem entre si cooperando para formar lâminas de epitélio (epiderme),  lâminas se enrolam para formar tubos (tubo digestivo, tubo neural, que dá origem à medula espinhal, brônquios, ureteres) e tubos se dilatam para formar bolsas (estômago, bexiga urinária) como descreve Keleman num olhar inédito e magistral. Ao colocar o pulso – ondas de excitação – dentro desse extenso continente epitelial, o autor de Anatomia Emocional nos proporciona uma maravilhosa visão sistêmica. Dessa maneira, na trajetória dinâmica das células para o corpo macro,  Keleman, além da nova  abordagem, nos liberta da prisão da anatomia descritiva estática e do corpo patologizado da medicina.<br />
A terceira camada embrionária primitiva – o mesoderma – desenvolve-se entre o ectoderma e o endoderma. Dessa camada originam-se os diferentes tecidos (tecidos  cartilaginoso, ósseo, muscular) encarregados de sustentar a forma do corpo, a postura, ações e locomoção. Outro derivado do mesoderma é o abundante tecido conjuntivo (antigamente, tecido conectivo) que faz a conexão entre todos os órgãos do corpo e por onde transitam nervos e vasos que comandam e alimentam esses órgãos. O tecido conjuntivo também tem uma participação fundamental na formatividade do corpo – é o órgão da forma, de Francisco Varela – além de atuar nos movimentos sob a especialização das fáscias e tendões.</p>
<p><strong>Regina:</strong> A conquista do planeta e a criação cooperativa da biosfera implicou na aquisição de novas fontes de nutrientes e energia para os organismo crescentemente mais complexos.<br />
Você pode nos dizer como isso aconteceu?</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Uma célula viva é um sistema isotérmico de moléculas que se auto-agregam, se auto-ajustam e se auto-perpetuam. Esse sistema extrai energia livre e matéria prima de seu ambiente (Lehninger). A energia para os processos vitais da maioria das células da biosfera é captada da radiação solar, através do processo da fotossíntese efetuado pelos vegetais verdes. Nesse processo, elétrons de origem solar são utilizados na elaboração de pequenas moléculas com alto conteúdo de energia química –especialmente o ATP &#8211; as fontes básicas de energia utilizadas pelos seres vivos. Os vegetais encarregam-se, também, da produção dos nutrientes básicos – como a glicose, formada a partir apenas de água e gás carbônico, e compostos que contém nitrogênio extraído do ar, os aminoácidos, constituintes essenciais das proteínas. Dessa maneira, as humildes plantas encarregam-se totalmente da etapa inicial, obrigatória, do extenso processo de fornecimento de matéria prima do ambiente para os seres vivos. Os nutrientes oferecidos pelas plantas são oxidados no interior das células de animais e dos próprios vegetais para a produção da energia química essencial para os processos vitais. Outros nutrientes são re-elaborados quimicamente pelas células para a produção de substâncias diversas, como hormônios e anticorpos, além da síntese das importantes proteínas filamentares utilizadas na construção das estruturas celulares e, em última instância, no estabelecimento da forma macro dos corpos multicelulares.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Essa idéia formativa, seletiva e cooperativa tem uma importância capital não apenas numa existência mas como algo que permeia tudo que existe desde o Big Bang e que, etapa por etapa, avança para diante em camadas de organização. É uma reunião de pulsos organizados dentro de uma dada arquitetura. É evidente como, a partir da célula até a formação de tecidos e camadas, os mesmos princípios atuam.É uma organização que, tanto no micro quanto no macro, é auto-pulsante, auto-formativa, tem uma membrana, um interior e um exterior, cresce e desenvolve camadas ao longo do tempo, tornando-se mais complexa.<br />
A continuidade é ininterrrupta. Todas essas micro-etapas, os “entre”, a formação de uma coisa a partir de outra, são selecionadas e precisas. No interior desse processo os seres vivos tentam construir diversas estratégias para prosseguir. Observando a potência do vivo, percebemos o quanto a vida luta para manter-se. A vida tem essa força porque é dotada de fantásticos sistemas de segurança, em todos os níveis, para evitar tudo aquilo que pode desagregar seus componentes. Isso pode nos transmitir uma confiança extraordinária na vida.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Um exemplo claro dessa afirmação é o DNA nuclear, muito bem protegido por esse cofre celular central, o núcleo. A molécula do DNA  tem um sistema auto-reparador que entra em ação quando ocorre uma fragmentação em uma de suas extremidades. O DNA se auto-repara continuamente para preservar o código hereditário e a síntese de proteínas pela célula, para dar suporte à potência formativa, para ser capaz de resistir e prosseguir, mesmo em condições adversas.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Quando você diz que o DNA se auto-repara continuamente para manter-se idêntico a si mesmo, isso é o que fazemos, como corpos humanos, para prosseguir apesar dos fatores que agridem nossa  integridade. O mecanismo do reflexo do susto atua nesse dispositivo de proteção. A capacidade de desorganizar esse reflexo que o córtex motor e os músculos estriados em conjunto proporcionam é uma continuidade desse sistema primário de auto-reparação.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Quando falamos de estrutura funcionante podemos considerar o micro e compreender algo a respeito do sistema neuro-motor. No sistema muscular, os componentes essenciais são  moléculas de proteína – actina e miosina – que se encadeiam para formar longos filamentos, verdadeiros polímeros biológicos. A contração muscular, em última instância, em nível molecular, depende do deslocamento de finos filamentos de actina sobre um filamento grosso de miosina, promovido pela alteração da geometria espacial dessas moléculas.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Em meados dos anos 90, Stanley me introduziu aos livros de Gerald Edelman em neurociência. A visão de Edelman pertence à mesma família de idéias darwinianas que as concepções formativas de Keleman. Na realidade, os conceitos de Edelman ressoam com a concepção de “a mente do corpo e o corpo da mente” de Stanley, elaborada já em meados dos anos 70. Foi uma sorte incrível, Rogerio, contar com você na ocasião para decifrar o texto de Edelman. Atualmente, essas idéias estão totalmente incluídas em nossas aulas e discussões nos seminários de Anatomia Emocional. Passemos a demonstrar, então, como seleção e conectividade estão presentes, também, no Darwinismo Neural de Edelman.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Nos dias atuais, em neurociência,  a conceituação mais ampla, unitária e bem aceita em relação ao sistema nervoso é a Teoria da Seleção de Grupos Neuronais (TNGS) proposta por Edelman em l979. Nessa teoria, ele tenta explicar toda a estruturação e funcionamento do sistema nervoso humano através de apenas três postulados básicos. Sua teoria chega a tentar um delineamento anatômico e funcional para explicar a consciência. Como Keleman, Edelman  também,trabalha com uma visão unitária corpo-mente.<br />
Em síntese, os três postulados da TGNS consideram: l) o estabelecimento da neuro-anatomia do cérebro durante a embriogênse; 2) as modificações funcionais dessa rede neural promovidas pela experiência durante uma história de vida; 3) o conceito de reentrância – um processo de sinalização recíproca entre neurônios de diferentes grupos (mapas neurais) – o mais importante dos tres postulados, para nós, na leitura de Keleman.<br />
O primeiro postulado considera o estabelecimento das características neuroanatômicas de uma dada espécie. Leva em consideração o processo seletivo na vida intra-uterina, em que grupos de neurônios competem com outros grupos (competição topobiológica) para construir as estruturas neurais. Nessa competição, 70% dos neurônios chegam a morrer em certos locais do sistema nervoso, como mencionado anteriormente. O resultado desse processo seletivo – o estabelecimento da rede neural no sistema nervoso central – é denominado repertório primário.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Eu gostaria de enfatizar essa conceituação do ponto de vista evolutivo. Você está considerando algo que, em nossa compreensão, está presente no pensamento de Keleman, todo o tempo. Acontece esse primeiro momento, embriogênese, em que o sistema nervoso da espécie é esculpido com o melhor material disponível. Essa é nossa herança anatômica, a rede neural básica do corpo dado da espécie. Em relação com o que você está dizendo – esta espécie de esculpimento em que 70% dos neurônios laboriosamente produzidos são descartados – eu percebo a visão de Keleman sobre inibição. Isso significa que ocorre uma inibição de tudo aquilo que efetivamente não tem utilidade para emergir, daquilo que é menos funcional para a situação, que tem menos potência. Neste caso, tudo o que não tem potência no contínuo devir de um corpo é inibido.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Em termos neurais, ocorre sempre uma inter-relação entre inibição, bloqueio e a força que você e o Keleman costumam lembrar, a excitação. Todo o funcionamento do sistema nervoso, do primeiro neurônio mais simples até a estrutura mais complexa, como o neo-córtex, implica inibição e excitação. Essa dualidade funcional é básica  para a compreensão de como funciona o sistema nervoso é também  um conceito de importância capital na visão kelemaniana.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Podemos ver, facilmente, como o pensamento e a prática desenvolvidos por Keleman são totalmente coerentes com o pensamento evolutivo: todo o funcionamento do sistema nervoso é seletivo. O comportamento, o traço, a ação emergem se é silenciado o que não é mais funcional. Ou, ainda, que seja inibido o que não se adapta a um propósito específico. A visão de Keleman da produção de corpo é relacionada de perto a essa inter-relação inibição-excitação. Para mim, Keleman tem coerência em toda sua visão, onde a prática tem uma relação direta com o que ele pensa desde o nível genético, passando pela embriogênese, pelo nível experiencial do corpo topobiológico ao longo de uma vida em particular desde o nível de mapas neurais até interações sociais.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> O segundo postulado da TNGS afirma que – depois que a rede neuroanatômica, o repertório primário foi estabelecido – irá ocorrer uma seleção funcional nessa rede, como resultado das experiências pessoais de uma história de vida. Sobre a rede neural estabelecida no corpo inato da espécie incidirá uma ação seletiva de tudo o que é mais usado, mais estimulado, que terá como resposta do sistema nervoso uma intensificação da força sináptica (sinapses, espaços na conexão de neurônios, que o impulso nervoso atravessa com maior ou menor potência). O reforço na transmissão do impulso através das sinapses, pelo uso repetido dessa via, facilita a passagem dos  impulsos nervosos subseqüentes. É algo comparável ao uso preferencial de uma trilha, entre outras, no interior de um campo. A trilha mais utilizada mantém-se em melhores condições do que as demais, facilitando a ulterior passagem de caminhantes. A rede neural inata, característica de cada espécie, sofrerá, dessa maneira, o reforço de diferentes grupos sinápticos, diferentes vias neurais, tornando-se específica para cada indivíduo, conforme as experiências de vida que acumulou. Essa modificação da rede neural original, o repertório primário, foi denominada repertório secundário. É este repertório que proporciona as características únicas de cada um de nós.</p>
<p><strong>Regina:</strong> De acordo com esse segundo postulado da TGNS, têm importância as sinapses que foram selecionadas e não mais a rede primária de neurônios. Ou seja, contam mais as conexões inter-neuronais que melhor facilitam a experiência de vida do organismo em desenvolvimento, num ambiente particular. Estamos considerando aqui o material, em nível celular, que constitui o cérebro, o que conecta melhor com o que para a construção de vias de excitação e, dessa maneira, suporta melhor a vida num organismo específico na biosfera. Existe sempre um número variável de vias potenciais e possibilidades. Algumas são mais utilizadas do que outras.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> O terceiro postulado da TNGS, certamente o mais importante, relaciona-se com a conexão de mapas neurais – agrupamentos de neurônios, em distintas áreas cerebrais, inter-conectados e atuando na mesma função neural. Um mapa neural é relacionado com a visão, por exemplo, outro com o tato. Uma única função neural pode exigir a conexão de vários mapas. É o caso do sistema visual de macacos que, segundo Edelman, dispõe de mais de 30 diferentes mapas neurais, cada um deles com certo grau de segregação funcional &#8211; para forma, contorno, cor, movimento, entre outros.</p>
<p>O terceiro postulado considera a interconexão entre mapas neurais de diversas funções neurais, por meio de conexões numerosas, paralelas e recíprocas. Esse tipo de interação é chamado reentrância,sinalizações reentrantes ocorrendo ao longo dessas conexões. Isso significa, segundo Edelman, que, na medida em que grupos de neurônios são selecionados em um mapa, outros grupos reentrantemente conectados à diferentes mapas, podem ser selecionados na mesma ocasião. Correlação e coordenação desses eventos seletivos  são conseguidos por sinalização reentrante, pelo fortalecimento de interconexões entre os mapas dentro de um segmento de tempo. Mapas neurais, portanto, são estruturas dinâmicas, não estáticas e definitivamente estabelecidas, que variam com o tempo. Uma premissa fundamental da TGNS é que a coordenação seletiva de padrões complexos de interconexão entre grupos neuronais pela reentrada é cartográfica.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Através da aprendizagem, quer dizer, través das experiências devidamente assimiladas, há uma cooperação entre redesque começam a interagir paraproduzir outro design, outra cartografia. A novidade dessa visão reside na seleção e cooperação de mapas neurais porque na vida adulta não ocorre mais a produção de tecido neural, apenas a intensificação de sinapses e novas interconexões de mapas. O foco de Keleman, em seus últimos papers, localiza-se totalmente na potência sinaptogênica (reentrância) de sua prática formativa, o método dos cinco passos.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Depois do nascimento, não ocorre a criação de novos neurônios, apenas a perda contínua dessas células (com a possível criação de neurônios na vida adulta, a partir de células-tronco). A cada dia milhões de neurônios são destruídos.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Isso é a otimização do patrimônio neural – a reentrância de mapas que esculpem novas possibilidades através de novas combinações sinápticas.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> A visão clássica de que existe uma hierarquia no sistema nervoso em que estruturas neurais recentes, do ponto de vista evolutivo, como o neo-córtex, por exemplo, controlariam todo o sistema nervoso perderam o sentido com o conceito de mapas reentrantes. Nessa nova visão, em última instância, o que denominamos “eu” é determinado por mapas reentrantes globais que funcionam com uma fantástica dinâmica, sujeita à mudanças no tempo e através do aprendizado.</p>
<p><strong>Regina:</strong> O “eu” é uma construção de mapas reentrantes em ação, temporariamente estabilizados, produzindo vida de uma certa maneira, em determinado ambiente. Na realidade, existem múltiplos selves, como diz Keleman e outros autores contemporâneos – para eles não faz sentido a idéia de um self monolítico. É na reentrância que acontece o que ainda não existe.Quantos mapas reentrantes são necessários para produzir uma modificação ou um novo comportamento?Apertar as mãos, por exemplo. Implica na conexão de duas áreas que tem sensibilidade, uma organização motora, um pulso, uma excitação – então um comportamento é estabelecido. Como é um aperto de mãos firme? Como é apertar mãos com sedução? Como é apertar as mãos com autoridade ou restrição? Cada um desses comportamentos se afirma quando você o repete. É o comportamento resultante da combinação de mapas motores com mapas tácteis, com mapas de temperatura e assim por diante. Trata-se de uma moldagem excitatória que organizamos em nós com uma série de variações, ou seja, muitas reentrâncias.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> É o que ocorre quando se modifica a propriocepção, sensibilidade articular e muscular profunda, por exemplo, em que usamos terminais de sensibilidade diferentes.<br />
.<br />
Regina : Como também ao regular o tônus muscular e distinguir diferentes qualidades da ação. Podemos compreender, então, que o comportamento é constituído de itinerários, possibilitando-nos uma narrativa. A recombinação que acontece na forma nos força a organizar reentrâncias para poder assimilar novas intensidades e tornar-nos capazes de interagir com esses novos fluxos. Essa operação produz camadas únicas e reentrâncias novas.</p>
<p><strong>Rogerio:</strong> Acho fantástica essa passagem que você acabou de fazer e que o Keleman fez, com brilho, em seu trabalho. A biologia molecular e a neurociência, com todo seu poder interpretativo, não conseguem ultrapassar seus limites para falar do corpo em sua configuração pessoal.Keleman, com sua teoria e prática, em sua visão ampla, conseguiu fazer essa passagem. Isto é Anatomia Emocional.</p>
<p><strong>Regina:</strong> Quando ele aplica diretamente essa biologia molecular e neurociência darwiniana ao processo vivido por pessoas, podemos perceber claramente do que a vida é feita. Compreendemos, também, como complexidade e biodiversidade subjetivas podem ser estimuladas e cuidadosamente moldadas. Tudo isso está em direta relação com a continuidade da produção de corpos. Quanto mais diversidade e organizações neurais motoras tivermos, mais eficientes como um soma subjetivo seremos. Esse é o dom evolutivo para cada um de nós para ser usado ao longo uma vida.</p>
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